Encaremos o problema para que a vida possa ser vivida.

Drogas é um tema de tal forma agressivo, que provoca intolerância, desperta medos e preconceitos. É mais fácil, aparentemente, fechar os olhos para não ver o que acontece e, assim, não precisar tomar atitudes.

As pessoas que têm filhos, ou trabalham com educação, precisam estar muito bem informadas sobre o assunto. Mas a informação é só um primeiro passo, que não basta.

Engana-se quem pensa que os jovens têm um bom nível de informação. Eles sabem quais são as drogas mais consumidas, onde encontrá-las, como usá-las, mas não têm a clara noção dos efeitos que podem trazer para suas vidas.

Normalmente, os dependentes começam a perceber a realidade após inúmeras e sofridas crises que minam seu sólido e bem-estruturado sistema de defesas. Só assim, quando sentem a força da destruição que a droga provoca em todos os aspectos de sua vida, é que conseguem pedir ajuda. E apenas 10% a 15% dos dependentes conseguem recuperar-se, voltar a ter uma vida saudável e produtiva e não voltar a usar drogas. Nesse percentual, certamente estão aqueles que tiveram as famílias envolvidas seriamente em seu processo de recuperação. São famílias que conseguiram abandonar o medo e iniciar um processo profundo de mudanças, que assumiram o problema de dependência como familiar, não como problema de um de seus membros.

Informações claras e objetivas diminuem ou atenuam os sentimentos e as reações negativas aos usuários, além de aumentar a vigilância, o controle e a segurança para a tomada de atitudes por parte dos pais.

O usuário de drogas que chegou a ponto de perder o controle de sua vida é um doente que precisa de tratamento, de ajuda. Sem isso, não conseguirá sobreviver, pois a dependência é uma doença fatal.

O uso continuado de drogas modifica o equilíbrio do organismo, e há uma grande tendência ao aumento das doses para a manutenção do efeito. Para conseguir doses cada vez maiores de droga, o dependente muitas vezes se envolve no mundo do crime, roubando ou traficando.

Diante de situação tão difícil, propor e seguir caminhos para a serenidade é tarefa que exige coragem. Não há fórmulas mágicas que possam modificar a situação. Os caminhos são feitos de árduo trabalho, envolvendo a família e a sociedade num processo de re-estruturação, em busca de uma nova forma de viver, em que a união é o elemento que possibilita o espaço para o afeto, as emoções, o prazer sadio da convivência em novas bases.

Podemos mostrar aos jovens que a vida, ainda que não seja fácil, vale a pena ser vivida, que devemos viver construtivamente, pois o mundo que temos é o que estamos ajudando a construir.
Fonte: Trecho de apresentação do livro Drogas, a busca de respostas, De Marina Canal Caetano Drummond e Helio Caetano Drummond Filho, Edições Loyola.