Ecstasy não aumenta a libido

Ecstasy, GHB e até anestésico para cavalos, entre outras substâncias sintéticas, são comumente usadas por usuários de drogas para mantê-los em um “clima da festa”, e não exatamente como estimulante sexual, como se imagina. “Pesquisas americanas já revelam que o ecstasy, a chamada “droga do amor”, por exemplo, é muito mais usada para manter o usuário acordado do que propriamente para excitá-lo sexualmente”, afirma o médico André Malbergier, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) do Hospital das Clínicas. E também não existem provas de que essas substâncias aumentem a “libido”(desejo sexual).

As “club drugs”, termo escolhido para denominar as drogas estimulantes usadas geralmente em festas e raves, já se tornaram um problema de saúde pública em diversos países. Na Inglaterra e na Irlanda, cerca de dois milhões de comprimidos são consumidos por semana. Dados da Polícia Federal brasileira mostram que a apreensão de ecstasy subiu de 1.600 em 2001 para 70.000 comprimidos no ano passado. Em pesquisa com alunos da USP, 3,17% afirmam já ter usado ecstasy. “No Brasil, o consumo ainda não é tão alto porque a droga é importada e tem elevados preços. Mas acredito que o fenômeno seja muito similar ao histórico de uso de cocaína: no início dos anos 80, ainda não era tão expressivo; porém, quando começaram a ser fabricadas no país, ficaram mais populares”.

Principais drogas

O ecstasy é droga mais popular entre jovens. “Trata-se de metaanfetamina, um estimulante poderoso. Seu uso prolongado pode causar perdas cognitivas de atenção e memória, além de sintomas depressivos”, alerta o médico.

Outra droga perigosa é o GHB (ácido gama-hidroxibutírico). “Por ser líquido, incolor e inodoro, é geralmente misturado com bebidas. É uma droga muito usada também para induzir a amnésia na prática de abusos sexuais em festas”.

O roipinol, calmante que também provoca amnésia, e a ketamina, um anestésico para cavalos, também estão entre as “club drugs”, de acordo com o especialista.
Fonte: USP