Polícia obriga traficante a abortar para condená-la à morte

Pequim, 26 ago (EFE).- Uma traficante de drogas foi obrigada a abortar pela Polícia durante sua detenção para poder ser condenada à morte, segundo publica hoje, quinta-feira, o “Diário da Juventude de Pequim”.

Ma Weihua, de 29 anos e originária de Gansu (noroeste), foi detida na capital provincial, Lanzhou, em janeiro de 2004 por levar 1.606 gramas de heroína, um delito que pode levar à pena capital na China, embora o Tribunal Popular de Intermediação de Gansu ainda não tenha emitido uma condenação.

Segundo a lei chinesa, uma mulher grávida ou um menor de 18 anos não pode ser condenada à morte, e, em caso de gravidez, a polícia deve facilitar um tratamento especial às detidas durante sua detenção.

Este é o argumento que está mostrando o advogado defensor, Wong Weihua, para demonstrar que a polícia obrigou Ma a abortar, depois de descobrirem durante uma revisão médica rotineira que a jovem estava grávida de 50 dias.

Segundo Wong, Ma queria ter o menino e se negou a abortar, por isso a polícia da delegacia de Chengguan, em Lanzhou, assinou por ela o consentimento para abortar no hospital, um extremo que não foi confirmado aos meios de comunicação pela Polícia.

Segundo a autorização de 19 de fevereiro de 2004 publicada pelo jornal, na assinatura reza: “Devido a paciente não ter mostrado cooperação, o diretor da delegacia de Chengguan solicita aplicar pela força a consumação”.

Outra prova a mais de que Ma foi obrigada a abortar, segundo seu advogado, é que durante a intervenção foi necessária anestesia total, como consta na autorização, quando na maioria dos abortos só se aplica anestesia local.

Wong pediu além disso ao tribunal que aplique uma sentença “ligeira” a sua defendida, já que era a primeira vez que Ma incorria em um delito de posse de drogas, além disso por encargos de outra pessoa, e nunca chegou a entregá-las a seu destino, “por isso não causou nenhum dano à sociedade”.

Segundo confessou a própria Ma durante o julgamento, um amigo de Urumqi (capital da região autônoma de Xinjiang, oeste) lhe pediu que levasse as drogas até Lanzhou em troca de 5.000 iuanes (600 dólares), mas foi detida antes de chegar ao destino.

O governo anunciou que a partir de primeiro de outubro endurecerá as normas sobre interrogatórios para evitar os abusos da Polícia, um extremo denunciado pela imprensa chinesa em diversas ocasiões durante o último ano, o que demonstra uma incipiente transparência informativa no país.
Fonte: UOL