Políticas antidrogas e a mídia

Os aspectos sociais relacionados ao uso de drogas lícitas e ilícitas embora sejam os de mais elevada importância têm sido os menos discutidos. A sociedade civil, antônita, está assistindo a uma preocupante difusão do uso de drogas, mas tem-se mostrado ausente em assumir atitudes positivas.

Diariamente a mídia tem noticiado o que está acontecendo no mundo das drogas, mas estamos nos comportando como surdos e cegos. A grande maioria das nossas famílias não enfrenta o problema de ter um familiar envolvido com drogase, de um modo geral, todos nós nos consideramos imunes a ele, até o momento em que ele bate em nossa portas.

È preciso que o cidadão de conscientize de que as drogas ilegais são, todas elas, perigosas. Nossos lares podem ser invadidos de modo insinuante e sutil. È preciso reconhecer que o uso de drogas é socialmente determinado. As sociedades, as famílias e os indivíduos podem se comportar de modo diferente com relação a elas. A permissividade ou a rejeição são questões de cultura e educação.

A mídia, especialmente a televisão, tem um importante papel na formação e na transformação do comportamento de uma sociedade na medida em que ela é a principal mensageira de novas atitudes e estilos de vida.

Inúmeros programas de televisão, as novelas em especial, têm apresentado desvios comportamentais num clima de normalidade e glamourização do consumo de drogas. Tais programas estimulam atitudes e comportamento anti-sociais, que são aliás, caracteristicas da condição pré-mórbida para o uso de drogas. A grande maioria do nosso povo, alheia a outras fontes de conhecimento e de informação, fica inteiramente exposta a tais exemplos que são por ela aceitos como comportamento moderno e exemplo a serem seguidos.

O combate que tem sido feito á publicidade que associa álcool e drogas á liberdade, á quebra de barreiras, que o uso é natural q não prejudica e que deixa as pessoas bem, alegres e felizes, tem sido criticado por zelozos defensores da democracia. È preciso que seja explicado ao povo que os meios de comunicação popular, devem ter liberdade para divulgar libertinagem.

Com exemplos de cidadania e com educação é possível ensinar e criar condições para que as pessoas, em especial os adolescentes digam não as drogas. È necessário debater, em todas as instâncias da sociedade, o porque do udo de drogas e é precido procurar fazer a população entender as causas que fazem da fuga química uma necessidade vital paracertas pessoas. È preciso fazer a sociedade tomar consciência de que o usuário de drogas é um doente que precisa de ajuda e de tratamento. Entretando, interesses escusos não têm permitido que o problema das drogas seja debatido na mídia com a sociedade de forma racional e sem tabus.

As teorias imaginativas, calcadas em pura ideologia filosófica, não promoveram o adequado embalsamento da questão do uso e abuso de álcool e fizeram com que se cometesse erros operacionais na condução de problemas estruturais e sociais.

Ainda agora, a sensação que se tem é a de que se tem é a de que os conhecimentos adquiridos com o álcool serão deixados de lado para se tentar outras alternativas teóricas de base filosófica e não cientifíca com relação ás drogas ilícitas. Já se está falando em uso “recreativo” da maconha, mesmo considerando que não há meios de se prever quem passará desse tipo de uso, se é que ele existe, para o uso que configure a dependência da droga.

Já falamos anteriormente que é sabido que a maconha é a porta de entrada para drogas mais pesadas. Todos que bebem e fumam sabem que ser chamado de “recreativo” no sentido de alegrar, causar prazer ou divertir. Hoje já sabemos que cerca de 10% a 20% dos usuários recreativos de bebidas alcoólicas se tornaram alcoolistas.

Se não conseguimos controlar os efeitos nocivos do álcool e do cigarro, como conseguiremos fazer isso com relação aos da droga, na medida em que o uso das mesmas se tornar um fenômeno tão natural como é o beber e o fumar?
Fonte: Jornal Diário de Marília – 22/08/2004