Jovem é principal alvo de campanha antifumo

Pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Câncer com estudantes de 7.ª e 8.ª séries do Ensino Fundamental e 1.ª série do Ensino Médio, nos anos de 2002 e 2003, em 12 capitais brasileiras mostrou alto índice de jovens que já haviam experimentado tabaco. A média brasileira de iniciação ao tabagismo é de 11 anos de idade. A informação fez com o Comitê Antifumo da Sociedade Paranaense de Pneumologia fizesse do jovem o público-alvo da campanha realizada ontem em Curitiba em virtude do Dia Nacional de Combate ao Fumo. Além de palestras para adultos e gincanas para crianças, o comitê organizou apresentações de hip-hop para conscientizar adolescentes sobre os malefícios do cigarro.

De acordo com a psicóloga, Eliana Champion, vice-presidente do comitê, a melhor maneira de prevenir a dependência entre os jovens é oferecer informação. Segundo ela, que participa do programa de tratamento para tabagistas do Hospital Bom Retiro, a dica vale para os pais. Eliana diz que não adianta proibir, é preciso tentar conscientizá-los sobre os benefícios de não fumar. “Os pais também precisam dar o exemplo”, afirma a médica pneumologista Luci Bendhack, presidente do comitê.

Por ano, o tabagismo mata 5 milhões de pessoas no mundo. Desse total, 200 mil são brasileiros. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 1/6 da população mundial é fumante. De acordo com o médico da equipe do Programa de Controle de Tabagismo da Secretaria da Saúde e presidente da Sociedade Paranaense de Pneumologia, Jonatas Reichert, os usuários de tabaco têm um risco muito mais alto de adoecer e morrer prematuramente de câncer, ataque do coração, doenças respiratórias.

A campanha de ontem também reforçou o tema “Tabaco e Pobreza: um cilco vicioso”, utilizado no Dia Mundial Sem Tabaco, cememorado em 31 de maio. A idéia é alertar que o consumo de cigarro no mundo é um fator agravante da pobreza, da fome e da desnutrição, segundo a organização Mundial da Saúde. Atualmente, dos cerca de 1,3 bilhão de fumantes, 80% vivem em países em desenvolvimento. Reichert, lembra que vício priva as famílias da renda necessária e impõe custos adicionais para cuidar da saúde. A médica Luci Bendhack destaca ainda que apesar da indústria do cigarro proporciar empregos a muitas pessoas, a maioria delas ganha muito pouco porque os lucros acabam indo para as grandes companhias.
Fonte: Gazeta do Povo