Quase 90% dos fumantes são a favor de proibir cigarro em locais fechados

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou na solenidade comemorativa ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, na sexta-feira passada, novos dados do Inquérito Domiciliar realizado pela instituição em 15 capitais brasileiras e no Distrito Federal. A pesquisa mostra que quase 90% dos fumantes são a favor da proibição do cigarro em ambientes fechados. Em Manaus, Belém, Fortaleza, Natal e Campo Grande o percentual fica bem próximo dos 100%.

O Inquérito Domiciliar levou um ano para ser feito. No módulo tabagismo foram entrevistadas 23.477 pessoas, sendo que cerca de 2,5 mil foram consideradas, dentro dos critérios estabelecidos, como fumante regular. Parte dos dados da pesquisa foram apresentados aos brasileiros em 31 de maio deste ano, Dia Mundial Sem Tabaco. As novas informações fazem parte da continuidade do estudo que vem sendo realizado pelo Inca.

A idade dos entrevistados variou entre 12 e 65 anos ou mais. Em relação à questão do fumo em diferentes ambientes, a pesquisa analisou apenas a resposta dos entrevistados que fumam regularmente. Além, da questão dos ambientes fechados, 63,7% acreditam que não se deve permitir o fumo em restaurantes; 80,8% acham que deveria ser proibido fumar nas dependências de escolas. Em relação às instituições de saúde este percentual sobe para 90,2%.

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, criado através da Lei Federal nº7.488, é comemorado desde 1986, e tem a população jovem como principal alvo, já que 90% dos fumantes adultos tornaram-se dependentes do fumo até os 19 anos de idade.

Organizações públicas e privadas de todo o Brasil que se destacaram no controle do tabagismo foram premiadas na solenidade. Ao todo, três estados, três municípios, seis ambientes de trabalho, seis unidades de saúde e seis escolas receberam troféus das mãos do Diretor Geral do Inca, José Gomes Temporão, e de outras autoridades na área da saúde.

Os prêmios foram concedidos pelo Inca e pelos ministérios da Saúde, da Educação e do Trabalho para premiar os esforços em sensibilizar a comunidade para uma melhor qualidade de vida, tornando o ambiente livre de cigarro.

Ciência reconhece o tabagismo como doença

O tabagismo é reconhecido pela ciência como uma doença causada pela dependência da nicotina. O fumante expõe-se a mais de 4.700 substâncias tóxicas que causam mais de 50 graves doenças como as cardiovasculares, pulmonares obstrutivas crônicas e o câncer. Somente no Brasil morrem anualmente cerca de 200 mil pessoas em decorrência dos males do fumo. No mundo este número sobe para cinco milhões.

O percentual de fumantes no Brasil é considerado alto quando comparado com outros países, principalmente da América Latina: um terço da população adulta fuma, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Noventa por cento dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os 5 e os 19 anos de idade. Atualmente, existem no país 2,8 milhões de fumantes nessa faixa etária.

A maioria dos fumantes tem entre 20 e 49 anos de idade. Os homens fumam em maior proporção que as mulheres em todas as faixas etárias. Porém, a mulher vem aumentando sua participação no número de fumantes, sobretudo na faixa etária mais jovem.
Fonte: Correio da Bahia