Traficantes declaram trégua em favela de BH

“Nós, moradores da PPL, estamos declarando que fizemos um acordo para acabar com a guerra na Pedreira. Por isso estamos entregando nossas armas para acabar com essa guerra”. Foi com estes dizeres, escritos em um bilhete, que a Polícia Militar encontrou três armas e 50 munições no Beco E (rua Serra da Mutuca) da Pedreira Padro Lopes (PPL), região Nordeste de Belo Horizonte, na tarde de domingo. Tudo foi preparado e deixado em uma sacola no local e uma ligação anônima levou os militares até as armas.

A entrega não foi surpresa para os policiais do Grupamento Especial de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar), que atua há quatro meses na PPL para coibir o tráfico e a violência. Um dos policiais do Gepar, que pediu anonimato, disse que o grupo já havia sido informado sobre essa reunião, que aconteceu semana passada, entre as duas quadrilhas que controlam o tráfico na Pedreira.

Um muro foi pintado, com aval dos traficantes, declarando paz na favela. Entre eles foi acertado que a guerra, que já deixou 46 mortos somente este ano, deveria acabar. O Gepar tem conhecimento de que as desavenças eram, em sua grande maioria, questões pessoais, já que o controle do tráfico já está bem definido no morro. A outra quadrilha também deve entregar suas armas nesta semana.

Promessa de tranqüilidade

Segundo testemunhas, moradores já podem circular livremente pelas áreas antes proibidas na Pedreira. “É a trégua que estamos esperando para implantar o Fica Vivo também na PPL”, disse o militar. O programa Fico Vivo, da Secretaria de Defesa Social em parceria com o Gepar e a UFMG, alia inclusão social à repressão policial e já atua com sucesso no Morro das Pedras, com redução de 47% no número de homicídios em dois anos de trabalho. O programa foi recentemente implantando no Alto Vera Cruz e deve chegar na PPL no próximo mês.
Fonte: UAÌ – Estado de Minas