Álcool

Assim como o cigarro, o álcool também causa dependência, apesar de ser uma droga aceita socialmente. A diferença é que, ao contrário do fumo, o álcool só se torna danoso quando consumido em excesso, e prejudica apenas o alcoólatra. Naturalmente, as pessoas que convivem com um alcoólatra também sofrem indiretamente com os efeitos do vício, mas não com o álcool propriamente.

Se uma pessoa tem os sentidos alterados pelo consumo de uma droga, seja maconha, heroína, cocaína, LSD ou álcool, seu modo de viver já se torna contrário às Leis naturais, e ela terá de arcar com as conseqüências de sua atitude de afronta a essas Leis.

A palavra alcoolismo foi cunhada pelo médico sueco Magnus Huss em 1849, para definir o conjunto de males vinculados ao consumo excessivo e prolongado de bebidas. Os dados estatísticos sobre os males que acompanham o vício da droga álcool não são menos significativos que os do fumo.

A Organização Mundial da Saúde considera o alcoolismo uma das doenças que mais matam no mundo. Em meados da década de 80, a Organização chegou à conclusão que em três países europeus, França, Inglaterra e País de Gales, o consumo de álcool e as psicopatias alcoólicas aumentaram vinte vezes em 25 anos. Na ex-Iugoslávia, 50% dos homens admitidos em hospitais psiquiátricos tinham a origem de seus males centrada no consumo de álcool. Na já distante década de 70, o governo dos Estados Unidos estimava que o alcoolismo causava um prejuízo anual ao país nunca inferior a 30 bilhões de dólares. E uma pesquisa recente indica que de cada quatro suicidas americanos, um era alcoólatra. Estima-se também que o álcool seja responsável por 100 mil mortes anuais evitáveis nos Estados Unidos, 17 mil das quais relacionadas a acidentes de trânsito.

No Brasil, há quem afirme que o alcoolismo desperdiça ou consome mais recursos do que a totalidade das importações brasileiras ou todo o orçamento da Previdência Social. O suicídio é 58 vezes mais freqüente em alcoólatras do que no resto da população, e entre 30% a 40% dos acidentes de trabalho são devidos ao alcoolismo. Em 1989, 14% dos jovens brasileiros entre 10 e 18 anos ingeriam bebida alcoólica mais de seis vezes por mês; em 1996 esse percentual subiu para 19%. De 1989 a 1993, o número de jovens que fazia uso pesado do álcool (vinte vezes ou mais por mês) havia crescido 50%. No domingo, dia do auge etílico semanal no Brasil, cambaleiam pelo país de 12 a 15 milhões de bêbedos. Estima-se que 9% das mulheres e 15% dos homens no país sejam alcoólatras. O Dr. Luiz Carazzai, estudioso de dependências químicas, informa que mais da metade dos acidentes de trânsito no país estão relacionados ao consumo de álcool, causa também de 87% dos casos de agressão registrados nas delegacias da mulher.

De acordo com a tese de doutorado da psiquiatra Magda Vaissman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o alcoolismo é a terceira causa de aposentadoria por invalidez, na instituição. O álcool é responsável por metade dos internamentos em clínicas psiquiátricas e por 90% do total de internamentos por problemas de droga.

Em relação aos acidentes automobilísticos não é novidade que álcool e volante formam uma combinação fatal, mas os números impressionam. O Instituto Raid analisou o sangue de 1.114 vítimas de acidentes automobilísticos e verificou a presença de álcool em 61% dos casos. A maioria dos acidentes ocorreu em fins de semana. Entre vítimas de 13 e 17 anos – grupo que não deveria beber – 47,7% haviam consumido álcool.

De acordo com a revista O Atalaia, as estatísticas indicam que o uso do álcool causa pelo menos 1 em cada 5 acidentes automobilísticos. Cerca de 30% dos pedestres que morrem acidentalmente, estão sob a influência do álcool. Quase 50% das mortes por traumas acidentais, homicídios e suicídios estão diretamente relacionados com o uso do álcool.

As mulheres alcoólatras grávidas podem prejudicar de forma irreversível seus futuros filhos. O álcool cruza a barreira placentária e se distribui no líquido amniótico e em vários tecidos fetais. Num congresso de obstetrícia realizado na Espanha em 1984, uma obstetra informou que haviam nascido naquele país, no ano anterior, cerca de mil bebês com a “síndrome alcoólica fetal”, quase o mesmo número de mongolóides. As crianças nascidas com esta síndrome apresentam, entre outros, os seguintes sintomas: peso e altura inferiores à média, diâmetro reduzido da cabeça, rosto assimétrico, fissuras na pálpebra, deslocamento da pélvis, anomalias cardíacas, deficiência da performance motora, retardo mental, epilepsia, hérnias? Já foram catalogadas 91 malformações relacionadas à síndrome alcoólica fetal.

O álcool ingerido em grandes quantidades dificulta também a assimilação de vitaminas pelo organismo, principalmente a B1, essencial para a saúde dos nervos. É por isso que os alcoólatras têm os nervos afetados. Muitos passam então a fumar, na tola ilusão de assim contrabalançar o seu problema de nervos. Com isso mergulham ainda mais profunda e seguramente rumo à total degradação física e anímica.

O álcool tem um efeito devastador no viciado. No alcoolismo crônico é comum a ocorrência do Delirium tremens; o alcoólatra treme pelo corpo todo, sua temperatura pode chegar acima de 40ºC e o suor é tão abundante que ele pode morrer de desidratação; a pele fica avermelhada em razão dos danos aos vasos sangüíneos sob a pele. Os nervos afetados podem causar impotência; o indivíduo também pode ficar estéril em razão dos efeitos tóxicos no esperma. O álcool ainda pode causar pressão alta, arritmia, ataques cardíacos, derrames cerebrais e danos aos músculos cardíacos. Os eletroencefalogramas de alcoólatras mostram que há um encolhimento cerebral; a destruição das células cerebrais provoca deterioração intelectual, perda de memória e demência. Também são comuns sintomas de depressão. O fígado, que converte o álcool num produto ainda mais tóxico, o acetaldeído, fica escravo da bebida e acaba negligenciando o metabolismo dos alimentos, o que leva ao acúmulo de toxinas e de gorduras no sangue. O excesso de álcool provoca ainda arteriosclerose e miocardiopatia (degeneração do músculo cardíaco), podendo também causar câncer de garganta, de esôfago e de boca. A pesquisadora Gilka Fígaro Galtas, da Faculdade de Medicina da USP, concluiu que a bebida causa de 80% a 90% dos casos de câncer de boca. Os principais danos causados nos órgãos são os seguintes:

-Fígado: hepatite, cirrose (endurecimento e degeneração do tecido);

-Pâncreas: pancreatite (inflamação na qual o pâncreas libera suas enzimas no próprio tecido);

-Estômago: gastrite, úlcera;

-Sistema nervoso: lesões cerebrais, epilepsia, psicose e demência;

Estudos revelam também que o uso do álcool tem um efeito definido e desfavorável em várias glândulas do corpo. Nos homens, o uso do álcool determina certa atrofia nos testículos, resultando uma redução no número de espermatozóides produzidos. Em casos extremos esta produção desaparece. Nas mulheres, revela-se um efeito semelhante nos ovários.

Que o álcool é, sim, uma droga, e muitíssimo potente, já foi demonstrado cientificamente. No livro Álcohol y Cérebro Adictivo, de 1991, os pesquisadores James Payne e Jenneth Blum demonstraram que, no cérebro, o álcool se transforma em TIQ, abreviatura de tetra-hidroisoquinolina, uma substância equivalente aos opiáceos. Como conseqüência, as bases neuroquímicas do alcoolismo e da toxicomania por opiáceos seriam similares.

Uma amostra ainda mais clara da decadência cada vez mais acentuada dos viciados em drogas é o crescimento da “dependência cruzada”. Antigamente, num grupo de alcoólicos anônimos só se viam alcoólatras, e num grupo de narcóticos anônimos apenas toxicômanos. Hoje em dia não é mais assim. Há cada vez mais casos mistos de alcoolismo e dependência de drogas dos mais variados tipos, consideradas ilegais.

Este o panorama geral do consumo de fumo e álcool e suas principais conseqüências.
Fonte: MSantunes.com.br