Como seria se não existisse nenhum trabalho de prevenção

“Muito se tem feito nos últimos tempos para que as pessoas se previnam contra o uso de drogas. Mas também muito se tem feito, legal ou ilegalmente, para que elas sejam usadas. O resultado final é que as pessoas estão consumindo cada vez mais drogas”.

Como seria se não existisse nenhum trabalho de prevenção? Teria o povo descoberto o mal que fazem as drogas de tanto ver usuários morrendo, e assim elas seriam naturalmente evitadas? Ou será que, a exemplo do que acontece com epidemias catastróficas, cada um lutaria para salvar as pessoas queridas? Pois acredito que estamos vivendo esta segunda hipótese.

Usar drogas significa, em primeira instância, buscar prazer. É muito difícil lutar contra o prazer, porque foi ele que sempre norteou o comportamento dos seres vivos para se autopreservarem e perpetuarem a espécie. É como se a Mãe Natureza considerasse importante os seres vivos povoarem a Terra. Assim, o que fosse bom para essa finalidade seria presenteado com uma sensação gostosa, chamada prazer.

Para a sobrevivência, o bom e o gostoso entrariam na mesma categoria, assim como todo desprazer significaria a vida sendo ameaçada, portanto algo ruim. A droga provoca o prazer, que engana o organismo, que então passa a quere-lo mais, como se fosse bom. Mas o prazer provocado pela droga não é bom porque ela mais destrói a vida do que ajuda na sobrevivência. Se uma pessoa fizer o que tem vontade, vai querer sempre sentir o prazer, que significa usar droga outra vez.

A prevenção tem de mostrar a diferença que há entre o que é gostoso e o que é bom. Nem sempre o gostoso é o bom, como no caso do uso das drogas. O gostoso pode ser ruim, como no caso do diabético que come um doce bastante açucarado. Nem sempre o desagradável é ruim. Ninguém gosta de tomar injeção de antibiótico, mas se não houver outra saída essa desagradável sensação de ser espetado por uma agulha é boa.

Todo usuário e principalmente sua família têm arcado com as conseqüências decorrentes desse tipo de busca de prazer.

Pela disposição de querer ajudar outras pessoas, parte da sociedade procura caminhos para prevenir o maior mal evitável deste final de milênio. Cada grupo a sua maneira. Todos os caminhos são válidos quando o objetivo de evitar o uso das drogas é atingido. Mas não há caminho que sirva para todos. O que é bom para uns talvez não seja para outros.”

Fonte: Extraído do livro “Anjos Caídos: como prevenir e eliminar as drogas na vida do adolescente” – por Içami Tiba.