Livro diz que Bush consumia cocaína

O livro “The Family” (A Família), retrato da dinastia Bush escrito por Kitty Kelley, no qual afirma que o atual presidente americano, George W. Bush, usava cocaína em Camp David, chegou nesta terça-feira às livrarias dos Estados Unidos em meio a uma enorme expectativa.

Horas depois de ser posto à venda, o livro já era o número 1 em vendas na lista da Amazon.com, graças aos exemplares reservados antecipadamente pelo público.

A obra, publicada a um mês e meio das eleições presidenciais de 2 de novembro, é a “história de duas famílias”, disse Kelley, 62 anos, em entrevista ao jornal USA Today.

“Há uma imagem pública e uma realidade privada”, acrescentou Kelley, autora de outras biografias que causaram enorme polêmica, como a da ex-primeira dama Nancy Reagan, a quem descreveu como consumidora de drogas e amante do cantor Frank Sinatra.

Ou a do próprio Sinatra, na qual aponta ligações com a máfia. Ou a da família real britânica, uma obra que continua sem ser publicada na Grã-Bretanha, onde as leis antidifamação são mais duras e onde o peso da prova recai sobre o autor da acusação e não sobre o acusado, como nos Estados Unidos.

No caso de “The Family”, quem sai mais prejudicado pelo retrato de Kelley é o presidente George W. Bush, primogênito do ex-presidente George H.W. e “ovelha negra” do clã durante muito tempo.

Segundo a biografia de Kelley, Bush filho entrou na famosa Universidade de Yale graças aos contatos da família e usou cocaína na residência presidencial de Camp David quando seu pai governava o país.

A autora também afirma que a família usou sua influência para fazer desaparecer qualquer informação constrangedora sobre o passado de George W., como o seu histórico militar na Guarda Nacional nos anos da guerra do Vietnã.

“Esta é uma família do alcoolismo, do vício de drogas e até da esquizofrenia”, disse no livro Sharon Bush, ex-esposa de Neil, um dos cinco filhos de Bush pai, depois de relatar que George Bush filho e seu irmão Marvin consumiram cocaína em Camp David “não uma, mas várias vezes”.

Sharon Bush, citada como uma das principais fontes da obra, deu várias entrevistas nas últimos dias e nega ter fornecido este tipo de informação à escritora. Seu advogado disse que está estudando a possibilidade de levar Kelley a julgamento.

“Tenho três testemunhas independentes do que eu e Sharon Bush conversamos. Isto é o suficiente para um tribunal”, respondeu em entrevista à rede de TV NBC a escritora, que afirma nunca ter perdido uma ação devido ao seu trabalho de documentação.

A Casa Branca reagiu à publicação classificando a obra de “lixo”. “As acusações desta escritora de fuxicos são tão falsas e desprezíveis que tiveram pouco espaço até menos nos tablóides”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Claire Buchan.

O momento escolhido para seu lançamento mostra que tem “motivações políticas”, segundo Buchan, assim como “o longo histórico da escritora em lançar acusações falsas deste tipo (…) deve levar todos os americanos e meios de comunicação sérios a jogarem este livro e suas mentiras no local a que pertencem: o lixo”.
Fonte: BOL