Pesquisa mostra que 39,8% das vítimas usaram álcool

Um jovem do sexo masculino, com idade entre 21 e 30 anos, que dirige em velocidade maior que o permitido, não usa cinto e faz uso de bebida alcoólica. Esse é o perfil da vítima de trauma causado por acidente de trânsito. Um estudo realizado no período de abril a novembro de 2002 com 153 vítimas de colisões internadas no Instituto José Frota (IJF), em Fortaleza, constatou que 39,8% haviam usado bebida etílica, 50,9% estavam sem equipamento de segurança (cinto ou capacete) e o politraumatismo foi o principal trauma encontrado, com 43,3%.

Os resultados do estudo que traçou o perfil epidemiológico das vítimas de acidentes de trânsito envolvendo colisões mostraram ainda que 46,9% têm entre 21 e 30 anos, 86,9% dos acidentados são homens e que o dia de maior ocorrência é domingo (28,8%). A maioria dos acidentes, 52,3%, é registrado no interior do Estado, com deslocamento para o IJF, depois do primeiro atendimento. O diretor Executivo do IJF e um dos coordenadores do trabalho, Grijalva Costa, observa que as colisões fazem a cada dia um número significativo de mortes e que além de matar, deixa seqüelas graves.

O médico, que é do Programa Avançado de Vida no Trauma do Colégio Americano de Cirurgia, ressalta que as causas dos acidentes são multifatoriais como o desrespeito às leis de trânsito, vias públicas mal conservadas e em menor escala, problemas de engenharia de trânsito. “É fundamental a realização de campanhas preventivas e que a educação de trânsito seja abordada nas escolas, pois caso contrário, daqui a 10 anos teremos cada vez mais jovens mortos no trânsito”. Para ele, é preciso investir mais em medidas preventivas e na fiscalização.

Costa lembra que o trânsito é um problema tão grave que o número de internações de pacientes vítimas de acidentes automobilísticos, 1.748 de janeiro a julho de 2004, ocupa sozinho um mês das internações no IJF, que mantém uma média mensal de 1,5 mil (incluindo todos os casos).

De acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), para cada óbito por trauma no Brasil, é gasto recursos públicos da ordem de R$ 140 mil. Nos Estados Unidos, são U$ 450 mil por cada morte. O fisioterapeuta Vilson Braga, da Associação Beneficente Cearense de Reabilitação (ABCR), diz que acompanha 40 pacientes e a maioria é vítima de acidente de trânsito. Segundo ele, os traumas mais comuns são as fraturas de membros superiores. A entidade oferece assistência multidisciplinar com oferta de psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogo. “Geralmente, o paciente que ficou incapacitado entra em depressão”.

Em Fortaleza, dos 5.020 acidentes de trânsito registrado no período de janeiro a março deste ano, 3.834 tiveram como causa as colisões, segundo as estatísticas da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC). Segundo a AMC, dos 78 acidentes com óbitos, 86,6% das vítimas eram do sexo masculino. Rinaldo de Castro, chefe de Operação e Fiscalização do órgão, diz que a sociedade ainda não tem o hábito do uso do cinto no banco traseiro e que também é verificado um descaso com a utilização do equipamento no banco dianteiro.
Fonte: NoOlhar