Comércio luta para manter fumantes

Com medo de perder clientes devido à nova medida da prefeitura, que proíbe o fumo em todos os ambientes fechados, empresários vão apresentar alternativas tecnológicas ao Ministério Público estadual. A exaustão ambiental será o foco principal do fórum sobre arquitetura e decoração, que os integrantes do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares programaram para o mês que vem. O presidente do sindicato, Alexandre Sampaio, afirmou que o objetivo é promover a convivência saudável entre fumantes e não-fumantes em ambientes fechados.

– Entendemos que a lei federal permite alternativas, como a exaustão técnica. Existem equipamentos de ponta capazes de tornar o ar poluído salubre. Trabalhamos em parceria com a Vigilância Sanitária e vamos aplicar o bom senso para alcançar soluções viáveis para o problema – diz Alexandre.

Ele explica que há muitos estabelecimentos que foram licenciados antes da existência da lei 9.294/96, o que garante o direito do proprietário de não construir paredes divisórias na casa, como ficou determinado legalmente. Contudo, a aplicação da lei servirá aos bares e restaurantes que serão construídos a partir de agora.

– Cumpriremos a determinação onde for possível erguer as paredes. Se não, vamos analisar estas alternativas de exaustão. A última medida será proibir de vez o fumo nos restaurantes e bares – observa.

Para o empresário Marcelo Torres, dono dos restaurantes Giuseppe, no Centro, e Ataulfo, no Leblon, a medida é sensata. Ele acredita que não fumar em ambientes fechados é uma questão de hábito e de respeito ao próximo:

– Uma vez que todos os restaurantes cumprirem a determinação, a medida é perfeitamente válida. Claro que para os bares ela será mais prejudicial. Mas, no fim, acaba se tornando uma questão de hábito. Nos EUA tornou-se praxe – compara.

Sem abrir mão de seus cigarros, cigarrilhas, charutos e cachimbos, fumantes inveterados sentem-se prejudicados com as novas regras. Incisivos, dizem que não vão freqüentar restaurantes sem áreas para fumantes.

– Nós pagamos impostos. Sou contra qualquer medida que limite nossa liberdade. A maioria dos fumantes se policia. Deveriam cuidar do fumo que circula no Posto 9, no lugar de se ocupar conosco – reclama o economista Henrique Araújo, adepto dos charutos.

– Eu deixaria de ir a um restaurante se não pudesse fumar em paz – completa.

Menos radical, o empresário Márcio Moraes diz compreender as proibições dentro de aeronaves, pois são locais sem exaustão. Quanto aos restaurantes, diz ele, é possível chegar a um consenso.

– Costumo perguntar se estou incomodando quando acendo meu charuto em restaurantes. No Gero, aguardo que o salão fique mais vazio antes de acionar o isqueiro – conta.

Para o advogado Mário Rubens, as leis são mal-feitas. A proibição do fumo em ambientes fechados, diz ele, dará margem a desentendimentos, por ser muito radical.

– A divisão de ambientes já ocorre na maioria dos restaurantes. Isso basta.

A Vigilância Sanitária, responsável por fiscalizar estabelecimentos refrigerados, já notificou 46 shoppings em toda a cidade e começa a fiscalizar na próxima semana os bares e restaurantes do Rio.
Fonte: BOL