Governo estuda aumento de preço de cigarro

O ministro da Saúde, Humberto Costa, afirmou que o governo deverá iniciar a discussão sobre o aumento do preço dos cigarros até o fim de novembro. A medida deverá tomar como base um estudo da Receita Federal, prestes a ser concluído, sobre a relação entre custo do cigarro e contrabando. “O trabalho deve indicar o limite do aumento, para que a medida não incentive o comércio ilegal”, afirmou Costa. O cigarro brasileiro é o sexto mais barato do mundo.

O aumento de preços está entre as sugestões da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, um acordo internacional firmado em maio do ano passado, com estratégias para o combate ao tabagismo. O acordo já foi ratificado por 31 países. Mais nove ratificações precisam ser reunidas para que a Convenção entre em vigor. No Brasil, a apreciação do acordo está emperrada no Senado. A demora é atribuída principalmente às pressões de produtores de fumo, que consideram a Convenção-Quadro uma ameaça a suas atividades.

“Trata-se de uma grande confusão, armada por representantes mal-intencionados”, afirmou Costa. Ele garantiu que o acordo não vai afetar de imediato a produção de fumo no País. “A redução de consumo será alcançada a médio prazo. Pensando nisso, a convenção recomenda que governos preparem estratégias para substituição das lavouras, mas, a médio prazo.”

As lavouras de fumo empregam cerca de 900 mil pessoas no País, especialmente trabalhadores de pequenas propriedades na Região Sul. No Ministério da Agricultura, o assunto é discutido na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Fumo.

“Em várias reuniões feitas com ministérios envolvidos, a Convenção-Quadro teve aceitação unânime”, afirmou o Costa. Ele negou que o Ministério da Agricultura esteja apreensivo com os rumos da lavoura do fumo. “O assunto é discutido no Comitê de Implementação da Convenção-Quadro, formada por representantes de vários ministérios”, disse o ministro.

BATALHA

Os Estados Unidos começam, 3a. feira (21/09), uma batalha judicial contra as grandes representantes da indústria de tabaco. O governo quer cobrar uma indenização de US$ 280 bilhões, referentes ao lucro obtido pelas empresas ao ocultar dos consumidores os malefícios do cigarro.

Segundo o governo americano, a indústria manipulou os níveis de nicotina para aumentar o consumo, além de iludir os adolescentes com campanhas publicitárias multimilionárias e ocultar estudos sobre os perigos do fumo.

Segundo o governo Bush, os fabricantes “têm executado uma massiva conspiração, que já dura 50 anos, para enganar o público, gerando conseqüências devastadoras para a saúde pública”.
Fonte: Cruzeiro do Sul