Peru afirma que traficantes brasileiros atuam com Sendero Luminoso

Traficantes brasileiros atuam na selva peruana com a proteção e o apoio da guerrilha do Sendero Luminoso, revelou nesta segunda-feira a Comissão Nacional para o Desenvolvimento e a Vida sem Drogas (Devida), organismo estatal do Peru de combate ao narcotráfico.

Estes traficantes operam na selva dos departamentos de Ayacucho e Cuzco, “trabalhando em empresas que armazenam e comercializam pasta básica de cocaína produzida por camponeses da região”, informa a Devida, que cita o serviço de inteligência do governo peruano.

O documento revela que “na região convivem traficantes do Brasil, do México e da Colômbia, em uma relação evidente entre o terrorismo e o narcotráfico em todo o vale do Rio Apurímac-Ene, especialmente nas localidades de Llochegua e Ene”.

Uma das novas rotas do narcotráfico passa pelo Brasil, com a utilização de centenas de “mochileiros”, adverte a Devida.

Segundo o relatório, nos últimos dois anos o vale do Rio Apurímac-Ene teve um repentino crescimento econômico, com a produção de 80% da droga enviada do Peru para o exterior.

A presença de traficantes brasileiros, mexicanos e colombianos é tão forte na região que certas marcas de cerveja destes países já são encontradas em várias localidades, revela a Devida.

“Existem versões as quais indicam que o movimento maoista Sendero Luminoso, sob o comando dos camaradas “Alipio” e “Raúl”, está obrigando a comunidade rural a plantar coca”, informa o organismo.

O Sendero entra em várias localidades e recebe o apoio do narcotráfico em troca de segurança e do transporte da droga.

“Alipio” e “Raúl”, principais líderes dos grupos remanescentes do Sendero que operam na região, são acusados de várias ações terroristas, como o seqüestro em 2003 de 71 operários da firma argentina Techint que construía um gasoduto no sul do Peru.
Fonte: Folha