Comerciante depõe e nega envolvimento com traficantes no Rio

O comerciante Gonçalo Waldemar Evangelista, 47, que no final de semana foi expulso da favela da Rocinha (zona sul do Rio) pelos traficantes, prestou depoimento à Polícia Civil na noite desta quarta-feira. Ele negou envolvimento com os criminosos e afirmou estar sofrendo ameaças de morte.

Conhecido como Waldemar do Gás, o comerciante teve na terça-feira vários de seus depósitos interditados por policiais da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados e da Coordenadoria de Recursos Especiais, acompanhados de fiscais da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

Para a polícia, Evangelista disse que os criminosos querem impor o monopólio da venda de gás na comunidade.

Depoimento

O depoimento, que começou por volta das 20h e durou cerca de duas horas e meia, tinha como objetivo aparar algumas divergências sobre o caso.

Evangelista já havia sido indiciado em dois procedimentos instaurados na 15ª DP por vínculo ao tráfico de drogas. Segundo o delegado Wanderley de Barros, a polícia vai apurar o resultado desses procedimentos junto ao Tribunal de Justiça.

Em depoimento, o comerciante disse que foi expulso da favela e que sofre ameaças porque se negou a cobrar ágio, imposto pelos traficantes, na venda dos botijões de gás, material de construção e galões de água.

“Vamos apurar com rigor se ele tem ou não envolvimento com o tráfico. Ele diz que nunca deu dinheiro a traficantes e que nunca foi vinculado a qualquer organização criminosa, mas as investigações terão prosseguimento”, disse o delegado.

Operação

Na terça-feira, a Polícia Civil participou de uma operação na Rocinha que resultou na apreensão de 88 botijões de gás em quatro depósitos irregulares, inclusive em um de Evangelista.

O caso será encaminhado à Delegacia de Repressão a Entorpecentes, onde há um inquérito instaurado para apurar a exploração do comércio de gás por traficantes.
Fonte: Folha