Pesquisa nacional sobre uso de drogas

O Sul é a região do país com a maior porcentagem de dependentes de tabaco (12,8%) e maconha (1,6%), e apresenta o maior índice de pessoas que usaram maconha (8,4%) e cocaína (3,6%) pelo menos uma vez na vida. Mais de 9 milhões de brasileiros já usaram drogas (exceto tabaco e álcool), e 68,7% já usaram álcool, sendo que 11,2% são dependentes. O levantamento, realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) e financiado pela Secretaria Nacional Antidrogas, busca suprir a ausência de dados sobre o consumo de drogas no Brasil e fundamentar o planejamento das ações do Sistema Nacional Antidrogas.

O professor Tadeu Lemos, especialista em dependência química do Departamento de Farmacologia coordenou o projeto em Santa Catarina, e os estudantes Gustavo Lemos Pelandré (Medicina) e Fernanda Lemos Pelandré (Psicologia) foram os aplicadores da pesquisa em Florianópolis, Joinville e Blumenau. Os estudantes visitaram 150 domicílios e entrevistaram 96 pessoas entre 12 e 65 anos de idade. O levantamento abrangeu as 107 maiores cidades do país, com população superior a 200 mil habitantes, totalizando 47.045.907 pessoas. O projeto envolveu cerca de 300 pessoas, entre consultores, coordenadores, supervisores, aplicadores e equipe técnica do CEBRID.

O estudo também levantou dados sobre quantas pessoas se submeteram a tratamentos pelo uso de álcool ou drogas ou tiveram complicações decorrentes de seu abuso, além da percepção da população sobre tráfico e facilidade em se conseguir drogas. A relação entre os resultados de uso de álcool e dependência mostra que, de cada seis pessoas que já usaram álcool, uma delas torna-se dependente. No caso do tabaco, de cada quatro homens ou de cada quatro mulheres que usaram, um de cada sexo ficará dependente.

Além do uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas, como maconha, o estudo apresenta dados sobre uso de medicamentos. De acordo com o levantamento, 4,3% dos brasileiros já usaram orexígenos (medicamentos utilizados para estimular o apetite), sobre cuja venda não há qualquer tipo de controle.
Fonte: UFSC