O risco daquela dose a mais

Alcoolismo pode começar na infância e leva 120 mil brasileiros para os hospitais todos os anos

O alcoolismo está entre as 10 principais causas de internações clínicas no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, em média 120 mil pessoas são hospitalizadas por ano em virtude da doença, o que gera um gasto de 60 milhões de reais aos cofres públicos.

Segundo a psicóloga Salete Barros Ferreira, o alcoolismo é responsável por aproximadamente 8% dos índices de faltas no trabalho e 80% dos acidentes de trânsito. Professora convidada do programa de estudos e assistência ao uso indevido do álcool, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Salete explica que, em algumas cidades do interior, por falta de comida, é normal encontrar crianças de 7 anos alimentando-se de bebida. É preciso ressalta que beber todo dia não significa ser um futuro alcoólatra. “Cardiologistas dizem que uma taça de vinho faz bem para o funcionamento cardiovascular. Sem exagero, não há problema”, ressalta.

Existem três tipos de consumidores: o ocasional, em potencial e o dependente. O consumidor ocasional é aquele que consegue controlar a quantidade que bebe e consome apenas em situações sociais, sem comprometer suas atividades diárias. Em potencial é aquele que bebe em horários impróprios, sozinho e em excesso.

O dependente, além de ser um bebedor em potencial, apresenta problemas em decorrência do uso abusivo do álcool, como o envolvimento em acidentes de trânsito. Ele bebe para ficar em estado alterado e precisa da bebida para se sentir feliz. “É comum pessoas depressivas ou ansiosas necessitarem do álcool e se tornarem dependentes”, explica.

Força de vontade garante o sucesso do tratamento

O tratamento acontece em etapas. Além do processo de desintoxicação e acompanhamento clínico para contornar as crises de abstinência (falta da bebida), o paciente, dependendo da gravidade, precisa de suporte psquiátrico e de medicamentos ? tranqüilizantes e que criem aversão ao álcool.

Colaborador dos Alcoólicos Anônimos, o clínico Laís Marques da Silva ressalta que a força de vontade do dependente é fundamental para a cura. ” O alcoolismo é uma doença que, quanto antes detectada, mais fácil fica o tratamento”, observa.

Contra o vício, o tratamento eterno

A dependência do álcool foi incorporada pela Organização Mundial de Saúde à Classificação Internacional das Doenças em 1967 e não tem cura – o problema é apenas controlável e exige tratamento permanente.

Para ter sucesso no tratamento, o paciente, além de não interrompê-lo e nem voltar a ter contato com a bebida, precisa de acompanhamento psicológico e, em muitos casos, medicação específica.

A professora Salete Barros Ferreira alerta que a ausência dos pais, o acesso fácil à bebida, a banalização e o não cumprimento da lei que proíbe o consumo de álcool para menores estimulam as pessoas, cada vez mais cedo, a buscar um estado alterado do comportamento.
Fonte: O DIA