Tráfico de fauna e flora só rende menos que o de drogas e armas

Os rendimentos do tráfico organizado de espécies da fauna e da flora selvagens são estimados em US$ 10 bilhões ao ano e só são superados pelo dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de armas, segundo ecologistas reunidos em um congresso na Tailândia.

Para eles, os governos e organizações internacionais não conseguem lutar contra a prática ou contra a corrupção que impede a aplicação das leis vigentes, deixando com que operem redes muito bem organizadas.

“É um verdadeiro problema ao qual não é dada a atenção necessária”, disse John Webb, procurador-adjunto do Departamento da Justiça para Crimes Contra o Ambiente dos EUA, durante conferência da Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, em inglês).

Os 166 países da Cites estudam inúmeras propostas sobre a regulamentação do comércio dessas espécies até o próximo dia 14 em Bangcoc, capital tailandesa.

“Trata-se de um comércio que proporciona enormes rendimentos às pessoas que estão dispostas a assumir riscos. Há uma grande quantidade [de espécies] de vida selvagem que são negociadas de maneira ilegal e só agora começamos a intervir nisso”, afirmou Webb.

“O crime organizado está abertamente envolvido nos crimes contra a natureza”, disse John Sellar, funcionário da Cites. Segundo ele, as espécies levadas da Ásia à Europa usam rotas estabelecidas por redes criminosas.

Essas redes se encarregam da maior parte do tráfico da Ásia, a partir de Hong Kong e da China continental, segundo os especialistas, enquanto que a máfia russa é ativa no contrabando de caviar em grande escala.

No entanto, a cumplicidade de políticos, funcionários públicos, guardas florestais e agentes alfandegários contribui para a crise.

“A corrupção é, sem dúvida, um problema enorme. Inúmeros lugares que têm a mais bela biodiversidade do mundo se encontram nos países mais pobres”, explicou Sellar.

Os especialistas comentaram também que a falta de harmonização das leis, principalmente nos 25 países da União Européia, é aproveitada pelos traficantes.

As mesmas infrações podem ser punidas com penas que vão de três meses a oito anos de prisão, variando de um país para outro, e os traficantes aproveitam importando ilegalmente seus produtos nos países mais tolerantes, principalmente nos dez novos membros da UE.
Fonte: Imirante