Segurança clandestino morto a mando de traficantes

O segurança clandestino Valter dos Santos Cerqueira, 26 anos, foi executado a tiros, ontem de madrugada, no Bairro da Paz. A polícia acredita que o crime teha sido praticado a mando de traficantes, pois a vítima era usuária de drogas. O delegado Roberval Nolasco, plantonista da 12a Delegacia (Itapuã), instaurou inquérito e comanda as investigações para esclarecer o caso.

O crime foi cometido na início da madrugada, na localidade conhecida como Baixa do Tubo. Valter saiu de casa para comprar drogas, contrariando a vontade de sua mãe, que temia por sua vida. Seu irmão Paulo dos Santos, 21, acordou por volta das 2h, encontrando a porta da residência aberta. Ao se levantar para fechá-la, procurou por Valter, mas ele havia desaparecido. “Ele nunca foi de ouvir ninguém, por isso eu não me preocupei”, contou.

Pela manhã, logo cedo, como de costume nos fins de semana, Paulo levantou para “pegar o baba”. Por volta das 6h30, saiu de casa com destino ao campo de futebol da localidade. No caminho, acabou encontrando seu irmão caído no chão com tiros em diversas partes do corpo. Desesperado, voltou para casa e chamou sua mãe e demais irmãos, que pareciam conformados com a morte do rapaz.

Hélio dos Santos, 36, justificou o destino dizendo que “Valter era envolvido com drogas”. Contou que toda a família dava conselhos, mas ele se recusava a abandonar o vício. “Ele ouvia, mas não fazia nada para largar as drogas”, afirmou.

Sempre muito calado, o segurança clandestino não abdicava das saídas noturnas. Por mais que sua mãe pedisse, não conseguia conter o vício e acabava procurando as bocas-de-fumo da área. A polícia acredita que ele estava sendo ameaçado por traficantes da Baixa do Tubo. O segundo de outros cinco filhos, Valter tinha uma filha que ajudava com o dinheiro que ganhava como segurança clandestino. Seus parentes garantem que, apesar de viciado, não era envolvido com criminosos do bairro.

Vizinhos revelaram que o local, durante pelo menos três dias na semana, é alvo do comércio de drogas, com o registro de execuções de usuários por conta de dívidas não honradas. “Aqui quem se envolve com droga acaba morrendo por causa das dívidas, por overdose ou por causa da rixa entre traficantes”, revelou uma mulher que não quis se identificar.
Fonte: Correio da Bahia