Tratamento farmacológico da síndrome de dependência ao álcool

O consumo de substâncias psicoativas é um importante problema de saúde pública em todo o mundo, sendo o álcool mais utilizada. Em função de alta freqüência do uso do álcool e dos inúmeros riscos à saúde advindos deste consumo, vários estudos têm sido feitos, objetivando uma melhor compreensão dos problemas relacionados ao alcoolismo e das formas de tratamento.

Além disso, sabendo-se que cerca da metade dos pacientes com síndrome de dependência ao álcool recaem após curto período de desintoxicação, apesar das várias formas de tratamento psicossociais e comportamentais: que estudos em neurociências estão implicando novos sistemas de neurotransmissores, tais como os envolvidos com estruturas mesocorticolímbicas, na fisiopatologia do alcoolismo; e que alguns alcoolistas apresentam uma predisposição biológica à doença, o desenvolvimento de novos modelos farmacológicos no tratamento do alcoolismo tem-se tornado uma área de interesse crescente entre os pesquisadores em todo o mundo.

Estudos epidemiológicos norte-americanos indicam que o alcoolismo afetará 10% da população em algum momento das suas vidas, sendo que os homens serão mais afetados do que as mulheres. Atualmente, nos Estados Unidos da América do Norte cerca de 14% da população pode ser considerada dependente de álcool. A primeira experiência com o álcool costuma ocorrer na adolescência, sendo que a tolerância aos seus efeitos é muito marcante. Segundo o National Institute on Drug Abuse (NIDA, 1998) e o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA, 1998), o alcoolismo provoca um prejuízo de 166 bilhões de dólares aos cofres públicos norte-americanos anualmente, em virtude dos inúmeros prejuízos provenientes do consumo desta substância.

O álcool etílico é um produto da fermentação de carboidratos presentes em vegetais. Suas atividades euforizantes e intoxicantes são conhecidas desde tempos pré-históricos.

Farmacologicamente, o álcool é um depressor do sistema nervoso central, provocando uma desorganização geral da transmissão dos impulsos nas membranas excitáveis. Possivelmente, alguns dos seus efeitos são mediados por um mecanismo mais específico, envolvendo receptores glutamatérgicos (NMDA), gabaérgicos (GABA), sistemas serotoninérgicos (5-HT), opióides e dopaminérgicos.
Fonte: GREA