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Polícia “estoura” boca-de-fumo no Largo da Ajuda

Operação envolvendo várias unidades da Polícia Civil resultou na prisão de três acusados de tráfico

Acusadas de traficar drogas no Centro Histórico, três pessoas foram presas, na madrugada de anteontem, durante operação coordenada pela Superintendência de Inteligência (SI) da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O cerco foi desenvolvido em três etapas e contou com o auxílio de filmagens que mostram a comercialização de substâncias ilícitas no bar pertencente a Maria Luíza Oliveira dos Santos, 39 anos, localizado no Largo da Ajuda. Além da comerciante, foram detidos no estabelecimento os ex-detentos Deoclimar dos Santos Nascimento, 44, e Reinaldo Pereira Santos, 45, e apreendidos 17 papelotes de cocaína. Dois policiais que davam segurança ao ponto estão sendo caçados.

A operação foi deflagrada pouco depois da meia-noite, quando 30 policiais civis de diversas unidades fecharam o quarteirão onde fica o bar, junto a um terminal de ônibus. Integrado pelo Departamento de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), Comando de Operações Especiais (COE) e Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deltur), o grupo abordou clientes do estabelecimento e passou a revistar os veículos que chegavam ao local. Alguns dos carros eram táxis padronizados que aparecem nas filmagens feitas anteriormente pela polícia, mostrando passageiros e até o próprio motorista comprando drogas.

Flagrados por filmagens realizadas em dois dias da semana passada, o agente da Polícia Civil Davi Mosqueira, afastado por licença médica, e o policial militar apelidado Guguinha, supostamente lotado no 18º Batalhão (Centro Histórico) não foram localizados durante a operação de ontem. Na fita, eles aparecem manuseando uma arma na porta do bar, enquanto usuários compravam droga de Reinaldo e Del.

De acordo com a delegada Maritta Souza, titular da Deltur, os dois policiais infratores terão prisão preventiva solicitada à Justiça. Como saldo da blitz, 40 pessoas foram abordadas, mas somente Del, Reginaldo e Luíza foram levados para a Deltur, onde prestaram depoimento. Por assumir a propriedade da droga, Deoclimar foi autuado em flagrante, enquanto a comerciante e Reginaldo vão responder inquérito em liberdade.

Reincidência – Maria Luíza negou ter conhecimento da atividade ilícita desenvolvida em seu estabelecimento e contestou as imagens registradas em vídeo pela polícia. Também filmado diversas vezes entregando a droga e recebendo dinheiro de ocupantes de veículos e transeuntes, Reginaldo igualmente se eximiu de envolvimento no crime. Beneficiados pela confissão de culpa de Del, eles foram liberados, embora a delegada Maritta Souza já tenha representado pela prisão preventiva de ambos.

Deoclimar e Reinaldo foram detidos em março pela Deltur. Em poder dos dois foram encontrados cerca de 200g de crack e aproximadamente 150g de cocaína, além de farinha de trigo para ser adicionada ao pó. Recolhidos ao Presídio de Salvador, terminaram em liberdade cerca de dois meses depois, mediante alvará de soltura da Justiça. Na ocasião, Reinaldo Pereira Santos trabalhava como almoxarife do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), função que desempenhou por quase 20 anos.

Reincidente em tráfico de entorpecentes, Del já conta com cinco prisões: junho de 1992, julho de 1997, setembro de 1999, março deste ano e a de ontem. Todos os processos permanecem em aberto, à espera de julgamento. Há cerca de 20 dias, também após investigações comandadas pela SI, cerco semelhante foi montado na Rua 28 de Setembro e dois acusados foram detidos em flagrante.
Fonte: Correio da Bahia