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Uso de drogas por adolescentes que buscam atendimento ambulatorial: comparação entre “crack” e outras drogas ilícitas – um estudo piloto

Uma pesquisa epidemiológica brasileira mostra uma estabilização no consumo de drogas entre os adolescentes, porém revela um aumento no uso de cocaína. Uma vez que o uso de “crack” é recente no Brasil – os primeiros artigos são datados de 1991 – são poucos os estudos sobre este assunto. Os problemas causados pelo uso de “crack” são mais graves do que aqueles causados por outras drogas. Este é um estudo sobre as características dos adolescentes que buscam tratamento para abuso ou dependência de álcool e/ou drogas, comparando os usuários de “crack” com os usuários de outras drogas. Foram estudados 21 pacientes com idades entre 11 e 17 anos, que procuraram tratamento em um serviço público terciário para dependência de álcool e/ou drogas, em regime ambulatorial. Os resultados foram analisados qualitativamente, através de tabelas de contingência. Foram estudados os dados referentes à idade de início de consumo de drogas, padrão de consumo, associação com outras drogas, comportamento sexual e problemas causados pelo uso de drogas. Houve predomínio do sexo masculino (85,7%) na amostra total. O início do consumo de drogas ocorreu por volta dos 11 anos com o uso de álcool, caminhando rapidamente para tabaco, maconha, solventes, opióides, cocaína inalada e “crack” por volta dos 14 anos. Excluindo-se o tabaco, as drogas mais consumidas foram o álcool, maconha, cocaína inalada, solventes e “crack”, nesta ordem, o que difere do encontrado em levantamentos nacionais que apontam os solventes, maconha, anticolinérgicos e cocaína como as drogas mais consumidas entre adolescentes brasileiros da população geral. Os pacientes consumiam, em média, 3 tipos de drogas diferentes: álcool, tabaco e maconha ou cocaína. Do total de pacientes, 57,1% usavam “crack” e mais da metade destes fazia uso regular deste. Os usuários de “crack” apresentavam, comparativamente ao grupo de usuários de outras drogas, maiores prejuízos escolares, envolvimento em atividades ilegais, assim como problemas familiares mais acentuados. Diferente do encontrado para as outras drogas, o uso regular de “crack” está associado à ocorrência de problemas em 100% dos casos. Ressalta-se que o tamanho de nossa amostra é reduzido. As principais conclusões foram: os usuários de solventes demandam pouco tratamento, em relação ao seu consumo elevado entre adolescentes da população geral; o uso de “crack” surgiu nos estágios finais de consumo de drogas, com problemas de maior gravidade quando comparados aos usuários de outras drogas, principalmente com relação aos estudos e relações familiares, assim como envolvimento em atividades ilegais; aparentemente, as usuárias de drogas do sexo feminino buscam menos tratamento para dependência de drogas que os do sexo masculino. Estes achados apontam aspectos que devem ser estudados em estudos quantitativos, com uma amostra maior.
Fonte: GREA