Governo chinês proíbe operações cerebrais em viciados em drogas

O Ministério da Saúde chinês proibiu as operações cerebrais em dependentes químicos como tratamento de desintoxicação, iniciadas na China em fevereiro e efetuadas em hospitais de oito províncias, informou nesta quarta-feira a imprensa local.

As autoridades médicas chinesas destacaram que essa cirurgia ainda é um projeto científico em fase de pesquisa clínica. O ministério disse que continuará apoiando os especialistas na avaliação dos resultados, e observará e acompanhará de perto a evolução dos que já foram operados.

Segundo o “Beijing Times”, Cantão, no sudeste do país, liderou a prática com um total de 200 intervenções cirúrgicas, nas quais nenhum viciado morreu, e 90% dos casos obtiveram resultados positivos. Em Hunan, no centro do país, foram 60 cirurgias, a primeira delas em agosto, sem que ninguém tivesse morrido.

De acordo com o artigo publicado na internet por um jornalista que acompanhou a primeira cirurgia nessa província, foram fixados sete pontos na cabeça do paciente com um scanner. Pelos sete pontos foram introduzidas agulhas que aplicaram, em duas ocasiões sucessivas, calor entre 45 e 65 graus centígrados.

O calor proporcionado pelos eletrodos tem o objetivo de destruir o núcleo das células e cortar as conexões da memória onde estão armazenadas as lembranças das drogas, segundo o artigo.

Após três semanas da intervenção, células neurológicas próprias procedentes de cultivo e inseridas no cérebro ajudam a memória a ficar livre de lembranças que podem originar a volta ao consumo, disseram os especialistas no artigo.

Para poder receber o tratamento radical, também aplicado em Pequim, Xangai e nas províncias de Jiangsu, Liaoning, Sichuan e Fujian, era necessário ser viciado em drogas havia três anos e não ter conseguido se livrar da dependência em pelo menos três tratamentos de desintoxicação, além de não ter aids ou câncer.
Fonte: UOL