Drogas, preocupação número 1 nas escolas

Migração do tráfico dificulta combate ao crime
O consumo e o tráfico de drogas nas proximidades das escolas é o problema que mais preocupa os estudantes de colégios estaduais de Curitiba e área metropolitana. É o que aponta uma pesquisa feita pela Polícia Militar, dentro do projeto Patrulha Escolar Comunitária (PEC), em que foram ouvidos alunos, pais e professores de 80% das 341 instituições estaduais de ensino da capital e região (os demais ainda serão entrevistados). A falta de segurança, a baixa auto-estima e o desconhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente também foram preocupações manifestadas pela comunidade escolar.

Segundo o capitão Valdir Carvalho de Souza, coordenador operacional estadual da PEC, as drogas atingem indistintamente as escolas da Grande Curitiba. “Não há uma região específica onde o problema se destaque. Dentro de um mesmo bairro, há escolas que são afetadas e outras não”, comentou.

Ele diz que uma das dificuldades para combater a situação é a migração. “Quando conseguimos acabar com o tráfico nas proximidades de um colégio, os traficantes vão para outra escola”, explica. Conforme Carvalho, o mais comum é que os traficantes atuem nas proximidades das escolas, mas já foram identificados casos em que eles conseguem fazer o comércio dentro dos estabelecimentos de ensino.

Os traficantes não atuam apenas nas proximidades das escolas públicas. Ex-alunos de uma conceituada universidade de Curitiba, que preferem não ser identificados, contam que os acadêmicos não têm dificuldades para comprar entorpecentes dos traficantes que, geralmente, ficam à espera dos cliente no pátio da universidade. No caso das instituições particulares, entretanto, a polícia não tem nenhum projeto específico de combate ao tráfico e à violência. “É claro que, quando solicitado, nada impede que nos desloquemos para atender uma situação pontual numa instituição privada”, disse o capitão Carvalho.

Acesso

A diretora de uma grande instituição de ensino de Curitiba (onde estudam cerca de 5 mil jovens) diz que a escola, infelizmente, é um ambiente que facilita o contato do jovem com a droga. “São muitas pessoas circulando num mesmo espaço e, entre elas, usuários que trabalham como repassadores. Além disso, na escola estão pessoas que, pela idade, querem desafiar a sociedade e usam a droga para essa finalidade”, analisa. A docente conta que no estabelecimento que dirige foram identificados vários usuários. “Quando isso acontece, fazemos contato com a família e exigimos que o jovem tenha ajuda especializada. Na seqüência, procuramos fortalecer a parceria afetiva e efetiva entre escola e família.”

O professor Victor Eduardo Silva Bento, doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise e diretor do Centro de Estudos da Toxicomania da Universidade Federal do Paraná, concorda que a escola atrai os traficantes e, neste sentido, aproxima os adolescentes das drogas. “O jovem está mais suscetível aos entorpecentes pela condição do que pelas perdas (corpo, bissexualidade e identidade infantil) que essa fase da vida representa.” Ainda segundo o professor, o consumo de entorpecentes é favorecido na sociedade pós-moderna, porque ela é extremamente consumista.
Fonte: Tudo Paraná