Hospital invadido pelo tráfico

Apavorados com a rotina de violência a que são expostos, médicos e funcionários do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião, no Caju, decidiram fechar a Emergência, sexta-feira, em protesto. O comandante do 4º BPM (São Cristóvão), tenente-coronel Gilmar Barros, disse ontem, após reunião entre os servidores e representantes das secretarias de Saúde e de Segurança, que bandidos se aproveitam do fato de não haver PMs no hospital para, armados, invadir a unidade e exigir dos médicos atendimento a cúmplices baleados ou com qualquer ferimento.

“Eles chegam de vários morros da cidade. Só tomamos conhecimento disso agora”, alegou o comandante. Os criminosos chegam, inclusive, a entrar com carro na unidade, já que há um portão nos fundos do hospital que dá acesso direto à Favela do Caju.

Médico levou tapas e foi xingado no plantão

As agressões sofridas por um médico de plantão, dia 9, foram o estopim da crise. O profissional foi xingado e levou tapas de duas acompanhantes de um paciente que, segundo testemunhas, é traficante da favela. Assustado, o profissional não voltou ao trabalho.

Ontem, representantes das secretarias e do Sindicato dos Médicos ouviram relatos dos funcionários. Hoje, às 11h, haverá nova reunião para decidir que medidas serão tomadas para acabar com o clima de medo. O comandante do 4º BPM adiantou que quatro PMs ficarão de plantão 24 horas no local. As operações nas favelas da área serão intensificadas; a passagem para a Favela do Caju, fechada; e os médicos, acompanhados até suas casas.

Outra denúncia feita durante o encontro foi a de que a direção teria sido obrigada pelo tráfico a contratar seguranças da comunidade para vigiar as entradas e garantir que comparsas sejam medicados.

Atualmente, há 20 pessoas internadas no hospital, considerado de referência no tratamento de doenças infectocontagiosas, como meningite e tuberculose. “A Emergência é apenas para tratar pessoas que tenham essas doenças e estejam em estado grave. O pavor dos profissionais é muito grande. Não podemos sucumbir ao crime organizado”, desabafou o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze.

O secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino, está viajando, mas avisou que mandará representante à reunião de hoje. Enquanto não houver providências, o setor ficará fechado. “Espero que nenhum médico morra nesse período”, disse o deputado Paulo Pinheiro, da Comissão de Saúde da Alerj.
Fonte: O Dia