Narcotráfico pressiona jornalista

Assunção (AE/AP) – O filho de um jornalista paraguaio foi seqüestrado ontem por três horas e, ao ser libertado, recebeu uma mensagem para que advertisse seu pai para não continuar publicando matérias sobre o narcotráfico. Bernardo Agusti, jornalista do Ultima Hora e da emissora de rádio Mil, disse que seu filho, Bernardo, de 9 anos, foi raptado por desconhecidos na cidade de Luque, 15 quilômetros ao leste de Assunção. Ele foi capturado às 9 horas da manhã e libertado ao meio-dia.

“Ao deixá-lo em um ponto da cidade de Luque, os desconhecidos disseram a meu filho para que eu deixasse de me ocupar com os narcotraficantes”, afirmou Agusti. Segundo ele, Bernardo apresentava sinais de ter ingerido alguma substância desconhecida, pois parecia zonzo. O menino foi levado a um hospital e, depois de uma série de exames básicos, recebeu alta.

“Este fato demonstra a insegurança e a impunidade vigentes no Paraguai”, disse Ignacio Martínez, diretor do Jornal Ultima Hora e secretário da filial paraguaia da organização internacional Fórum pela Liberdade de Imprensa. “Pedimos ao ministério do Interior proteção policial para Agusti”, anunciou Martínez.

O Paraguai é apresentado por organismos de segurança como um dos maiores produtores latino-americanos de maconha de alta qualidade. Nos anos de 1970 e 1980, porém, era considerado um país importante para o trânsito de grandes quantidades de cocaína boliviana, peruana e colombiana a centros de consumo europeus e americanos.

A crise social desencadeada pelas altas taxas de desemprego ajudam o narcotráfico a arrigementar cada vez mais braços, deixando vulneráveis os que lutam contra sua atuação.
Fonte: Tudo Paraná