Laço familiar ajuda a reduzir uso de droga por crianças de rua

Brasília ? O estado falha ao combater o consumo de drogas de crianças e adolescentes em situação de rua e é a família que ainda pode minimizar a gravidade do problema. É o que mostra o 5.º Levantamento sobre o Uso de Álcool e Drogas entre Crianças e Adolescentes em Situação de Rua, realizado no segundo semestre do ano passado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e financiado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

Os dados mostram que 72,5% dos jovens pesquisados que não estavam morando com a família faziam uso diário de drogas, enquanto 19,7% dos que vivem com a família consomem do mesmo modo. O levantamento foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteontem pela pesquisadora Ana Regina Noto. “A pesquisa reforça a importância do vínculo familiar e de políticas com esse fim”, disse a pesquisadora.

“Mesmo em famílias desestruturadas, essas crianças mantêm laços maiores de moralidade e responsabilidade do que as que vivem na rua”, explica o psicólogo Vanderlei Alves, psicólogo e coordenador do Programa Cara Limpa, da prefeitura de Curitiba, que trabalha com crianças e jovens dependentes químicos.

A pesquisa também indica que cerca de 54% das crianças e adolescentes que vivem nas ruas possuem a consciência de que estão agindo de maneira errada ao consumir drogas, mas menos de 1% afirmou já ter procurado ajuda para largar o vício. Apesar de estarem praticamente o dia todo nas ruas, vendendo balas, limpando carros e, na maioria das vezes, envolvidos com drogas, esses jovens não procuram o sistema de saúde.

“O Estado ainda engatinha no desenvolvimento de políticas públicas para a criança brasileira”, afirma a psicóloga e professora da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Flávia Dahlf.

Foram ouvidas 2.807 crianças e adolescentes em todo país, sendo que 75,5% são do sexo masculino.
Fonte: Tudo Paraná