Três milhões de pessoas fumam maconha

Bruxelas – Três milhões de europeus fumam maconha todos os dias e os pedidos de tratamento estão aumentando cada vez mais na União Européia (UE), segundo um relatório anual do Observatório Europeu de Drogas e Toxicomanias (OEDT) publicado ontem em Bruxelas.

“O consumo intensivo de maconha é preocupante”, alerta o OEDT, destacando os sinais cada vez mais claros da relação entre consumo intensivo de maconha e uma “série de problemas sanitários e sociais” nos países da União Européia.

Segundo o OEDT, “entre 0,9% e 3,7% dos jovens adultos consomem droga de forma intensiva, diariamente ou quase”, com taxas ainda superiores entre a população jovem masculina, como na França, onde 9,2% dos jovens de entre 17 e 19 anos afirmam fumar todos os dias.

Porém, a maconha está atrás da heroína, a droga citada com mais freqüência nos relatórios sobre pessoas em tratamento médico. “Cerca de 12% do total dos pacientes e 30% dos novos doentes em tratamento sofrem de problemas relacionados à maconha”, proporção que alcança 48% na Alemanha.

Esta tendência está se firmando, pois o haxixe é a origem de “80% das demandas de tratamento para os menores de 15 anos e de 40% dos jovens entre 15 e 19 anos”. “O cultivo dessa droga é praticado atualmente na maioria ou em todos os países europeus, com técnicas para obter uma concentração duas ou três vezes superior à da planta da maconha importada do norte da África, do Caribe ou do Oriente Médio”, segundo a organização.

“O consumo de maconha forte continua sendo relativamente baixo, mas isto pode evoluir e trazer preocupações reais em matéria de saúde pública”, advertiu o diretor do Observatório, Georges Estievenart.

“A freqüência dos problemas sanitários agudos pode aumentar entre os consumidores de maconha forte e, em conseqüência, as demandas de tratamento também”, alerta o relatório.

Mas o Observatório ressalta que os “tratamentos especializados para usuários de maconha estão se tornando escassos em toda a Europa”.

Além disso, o relatório destaca um “aumento das mortes ligadas à droga” nos 10 novos países da União Européia, no leste e sudeste do continente.

“Isto já foi notado na Estônia e na Eslováquia”, segundo o OEDT, que manifestou sua preocupação sobretudo pela situação nos países bálticos. “A epidemia de HIV se propaga rapidamente em alguns países da União Européia e nos países vizinhos. Estônia, Letônia, Rússia e Ucrânia registram o maior aumento de Aids no mundo”.

O relatório indica, por fim, que os lugares onde os toxicômanos podem se drogar legalmente têm vantagens sanitárias, mas a maioria dos países europeus não os aceitam por razões éticas.

Atualmente há cerca de 60 salas deste tipo, sobretudo para os consumidores de heroína, em 39 cidades da Suíça, Alemanha, Holanda e Espanha e as autoridades de Luxemburgo, Eslovênia e Noruega estudam a possibilidade de adotar a mesma prática.
Fonte: Diário do Nordeste