Aeronaves usadas no narcotráfico passam por Roraima, diz comandante do CMA

O comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia), general Cláudio Barbosa de Figueiredo, que chegou a Boa Vista ontem para uma visita de rotina aos pelotões de fronteira, disse que existem aviões pertencentes a fazendeiros, ONGs (organizações não-governamentais) e até ao narcotráfico colombiano que estão voando ilegalmente no espaço aéreo de Roraima. Afirmou que todos eles ? não precisou quantos ? serão interceptados e proibidos de voar para que se legalizem. As aeronaves que servirem ao narcotráfico vão ser apreendidas.

General Figueiredo afirmou que está sendo feita uma triagem pelo Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) através da qual já foi identificado um intenso tráfego ilegal de aeronaves no espaço aéreo roraimense. Disse que em relação às aeronaves que são utilizadas pelo narcotráfico colombiano, há uma rota através qual a droga sai da Colômbia com destino ao Suriname passando por Roraima.

“Esses aviões serão retirados de circulação e apreendidos se estiverem realmente sendo usado no tráfico de drogas”, afirmou. Por outro lado, ele descartou a possibilidade do tráfego de aviões estrangeiros em áreas indígenas locais sem o conhecimento da FAB (Força Aérea Brasileira). “A Força Aérea Brasileira rastreia todas as aeronaves que voam no espaço aéreo nacional”, frisou.

O comandante esclareceu que o fato de uma aeronave estar voando de forma ilegal não quer dizer que ela vá, obrigatoriamente, ser abatida. Antes de qualquer coisa ? explicou ele ? é feita a interceptação do avião e realizados nove procedimentos previstos na Lei do Abate, com o objetivo de convencer o piloto a aterrissar. Mesmo que o avião seja clandestino, ele não vai ser abatido antes do cumprimento dessas normas.

A situação das 55 pistas não homologadas existentes no Estado não é motivo para o abate de aeronaves, segundo preocupação manifesta pelo deputado Raul Lima (PSDB) na Assembléia Legislativa, no mês e outubro. O que deve ser feito é a legalização das pistas e a regularização das aeronaves que estão voando sem plano de vôo previamente registrado no DAC (Departamento de Aviação Civil).

Conforme a nova legislação, uma vez detectada uma aeronave clandestina voando ilegalmente, o piloto é conduzido para pousar na pista mais próxima para que sua situação seja verificada. A aeronave pode ser apreendida ou regularizada. General Figueiredo disse que o objetivo da lei não é abater, mas regularizar o que está irregular. “Somente após cumprido o último procedimento, se ainda assim o piloto não quiser pousar, aí é possível que se utilize (na prática) a Lei do Abate”, comentou.
Fonte: Folha