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Índios sofrem com alcoolismo

O alcoolismo entre a população indígena cearense virou caso de saúde pública. O problema foi constatado em um seminário realizado pela Fundação Nacional de Saúde do Ceará (Funasa-CE), que teve a participação das tribos Jenipapo/Kanindé (Aquiraz), Tapeba (Caucaia), Tremembé (Itarema/Acaraú) e Pitaguary (Maracanaú/Pacatuba)

Através de um questionário respondido pela comunidade indígena, foi revelado que esse é um dos maiores problemas enfrentados dentro das etnias.

Não existe uma estatística oficial sobre o assunto, uma vez que o levantamento ainda está em análise, mas a gravidade do problema motivou a Funasa a realizar um curso de capacitação para abordar a situação do alcoolismo entre a população indígena cearense, antes mesmo do resultado oficial do levantamento.

O curso, que começou ontem no Hotel Laguna Blu, em Aquiraz, será concluído amanhã, reunindo membros das lideranças indígenas, equipe multidisciplinar (médicos e profissionais de enfermagem) que atuam nas aldeias e duas especialistas em tratamento de alcoolismo nas etnias: a pesquisadora em antropologia da saúde Marlene de Oliveira, e a médica Marilda Kohatsu, ambas da Secretaria de Saúde de Londrina, Paraná.

Para Marlene, devem ser implementadas ações na aldeia, como realização de oficinas específicas voltadas para atividades de recuperação. “Esse trabalho ajudou muito a etnia Kaingang, no Paraná”, disse, lembrando que a comunidade sofria de alcoolismo . “Cartilhas dão muito resultado quando são produzidos através da visão deles. Os índios precisam reconhecer o álcool como problema”, alerta a antropóloga.

Segundo a médica Graça Lemos, coordenadora do curso, o resultado estatístico relacionado ao alcoolismo nas aldeias indígenas será divulgado em um mês, mas já é certo que o maior índice está na etnia Jenipapo/Kanindé, de Aquiraz, motivo pelo qual o curso está sendo realizado naquele município.
Fonte: Diário do Nordeste