Primeiro passo para outras drogas

“O álcool é a porta de entrada para outras drogas”. O alerta é da assistente social Jeovanete Fontes Rocha, coordenadora do Centro de Recuperação e Promoção Humana (CRPH), que coordenou a oficina “Alcoolismo na Adolescência e Violência nas Conseqüências”, como parte do I Seminário Infância, Adolescência e Mídia de Roraima que começou na sexta-feira (3) e terminou no domingo (5) no Ecopark.

A assistente social apresentou dados estatísticos (levantados no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004) que dão uma ampla visão da problemática do álcool na vida do adolescente no Estado. De acordo com esse levantamento, 175 casos foram registrados pelo CRPH, dos quais 105 adolescentes (ou 60%) eram usuários de drogas variadas. Desses, 42 tiveram o álcool como porta de entrada. Os 40 % restantes (70 adolescentes) eram dependentes do alcoolismo.

Nesse mesmo período, 17 adolescentes (10%) foram totalmente recuperados por meio do Programa Terapêutico do CRPH, que é um departamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). “Dentre esses 10 % há aqueles que tiveram alguma recaída, mas conseguiram se recuperar”, explicou.

De acordo com Jeovanete Rocha, o problema é bem mais complexo porque o adolescente começa a ter contato com o álcool ou outras drogas antes mesmo de nascer, porque a mãe usa drogas (entre elas o álcool) na gravidez e durante a amamentação. O pai também contribui quando embeba a chupeta da criança num copo de cerveja ou de cachaça.

“A gente observa que os adultos que são atendidos pelo CRPH iniciaram sua dependência química durante a adolescência, ou seja, criou-se um círculo vicioso. Por isso o tratamento é feito através de abordagem comportamental quando o dependente é levado a refletir sobre sua situação de risco”, enfatizou, ao destacar que apesar dos números considerados preocupantes, os casos verificados em Roraima estão dentro da média nacional.

Jeovanete Rocha considera que, para que o CRPH consiga fazer um trabalho de maior eficiência, é necessária uma equipe mais completa, interprofissional. Hoje o CRPH dispõe de duas assistentes sociais, uma psicóloga e um dependente químico em recuperação que contribui com o trabalho, além da equipe de apoio.

“Além desses que já atuam no Centro, seria necessário que a equipe fosse composta por profissionais da área de enfermagem, pedagogos, um médico psiquiatra, um profissional de terapia ocupacional e auxiliares”, revelou.
Fonte: Brasil Norte