Bebida afeta desenvolvimento emocional de filhos de alcoolistas

Os danos causados pelo consumo de bebida alcoólica vão muito além da saúde de quem bebe. Recentemente, estudo desenvolvido pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo – USP de Ribeirão Preto alerta para o prejuízo que a bebida acarreta no desenvolvimento dos filhos de homens alcoolistas. Intitulada ?Maturidade Emocional e Avaliação Comportamental de Crianças Filhas de Alcoolistas?, a pesquisa aponta as alterações de comportamento e as desordens de personalidade que essas crianças apresentam em função do hábito de seus pais.

?Bebida alcoólica é droga, mas a sociedade não a vê dessa forma. Não basta a informação, mas a formação em relação ao alcoolismo, o que inclui prevenção e tratamento?, diz a autora da pesquisa, Joseane de Souza. ?É preciso que a prevenção seja incentivada. As crianças devem ser incluídas nos tratamentos que os alcoolistas recebem e programas nas escolas precisam ser criados?.

A pesquisa é uma reavaliação dos dados levantados em outro estudo apresentada na mesma Escola, a partir de testes com as crianças e questionários respondidos pelas mães. As disfunções emocionais, como insegurança e timidez, foram reveladas nos meninos filhos de alcoolistas. Mas é entre as meninas que os graus de retraimento e insegurança são mais altos, além de apresentarem irritabilidade, impaciência, desobediência e sinais de depressão.

?Há a hipótese de que as meninas apresentam dificuldades emocionais e comportamentais mais claros porque são influenciadas pelo seu envolvimento maior com as mães, que sofrem com o alcoolismo dos maridos?, acredita Joseane, indicando os próximos passos da pesquisa: ?Estudaremos a influência do alcoolismo sobre a estrutura familiar, e analisaremos a idéia de que as meninas são mais atentas e sensíveis ao alcoolismo paterno, razão por que demonstram sinais emocionais mais evidentes?.

Mas o estudo alerta também para a leviandade de se atribuir apenas ao hábito dos pais o desenvolvimento dessas características comportamentais. Os fatores sociais, culturais e familiares, como a pobreza, o envolvimento em crimes e o divórcio, são constantes nas famílias cujos pais são alcoólatras, o que influencia no desenvolvimento psicológico dos filhos. ?Além disso, não é possível fazer generalizações. Essa pesquisa é limitada, com uma amostragem de apenas 40 crianças. Por isso, outras pesquisas devem dar continuidade a esse estudo?, pondera Joseane.
Fonte: USP Online