Funções de aprendizado e motoras em mulheres após abstinência alcoólica

Existem evidências de que as mulheres metabolizam o álcool de maneira um pouco diferente dos homens e apresentam, para a mesma quantidade de álcool consumida, mais riscos de desenvolver problemas associados. Estes problemas incluem também os déficits de aprendizado e psicomotores.

Os efeitos danosos do consumo crônico e excessivo de bebidas alcoólicas sobre as funções motoras e cognitivas são bem conhecidos. No entanto, pouco se compreende acerca do tempo e extensão da recuperação destas funções a partir da abstinência do álcool. Ao mesmo tempo, a principal população estudada quanto aos déficits funcionais associados ao alcoolismo é a masculina, só mais recentemente tem sido desenvolvidas pesquisas exclusivamente com mulheres ou comparando os sexos.

As estatísticas têm mostrado que, nos Estados Unidos da América, o consumo de bebidas alcoólicas entre mulheres tem aumentado. Apesar destas iniciarem o consumo de álcool mais tarde na vida, beberem menos por ocasião e apresentarem maiores taxas de abstinência do que os homens, paulatinamente os padrões de consumo de álcool entre homens e mulheres tem se tornado semelhantes.

Quanto aos efeitos sobre as funções cognitivas e motoras, apesar do número limitado de evidências comparando os dois sexos, alguns estudos têm mostrado que as mulheres alcoolistas apresentam déficits cognitivos mais suaves do que homens alcoolistas. Recentemente, pesquisa evidenciou que mulheres demonstravam menores perdas nas funções de equilíbrio, andar e movimento dos membros do que os homens.

Os autores avaliaram os efeitos da abstinência do álcool sobre os déficits nas funções cognitivas e motoras previamente observados em 43 mulheres alcoolistas. As participantes passaram por três séries de testes destas funções: a primeira após 15 semanas de abstinência, a segunda após 1 ano do primeiro teste e a terceira após 4 anos. Um grupo utilizado para comparação foi testado duas vezes: a primeira na mesma ocasião do grupo de mulheres alcoolistas e a segunda 3 anos depois.

Os pesquisadores averiguaram que na segunda série de testes após um ano, 14 mulheres, das 23 que compareceram para o teste, haviam se mantido abstinentes. Ao comparar as abstêmias com as que haviam recaído em pelo menos uma ocasião nestes últimos 12 meses, nenhuma diferença foi encontrada para os déficits nas funções cognitivas e motoras entre os grupos. Todas apresentavam déficts superiores ao apresentados por mulheres da mesma faixa etária sem diagnóstico de alcoolismo.

Após 4 anos, 13 dos 14 que retornaram para o teste haviam mantido a abstinência nos últimos 30 meses. Elas haviam retornado aos níveis normais de memória e de velocidade psicomotora, mas mantinham os déficits na função equilíbrio estático.

Os autores concluíram que mulheres que tenham apresentado dependência de álcool e desenvolvido déficits cognitivos e motores podem recuperar certas funções após longo período de abstinência. Principalmente, a memória não-verbal de curta duração e a velocidade psicomotora retornaram aos padrões normais. A estabilidade postural foi a função que apresentou comprometimento persistente.
Fonte: OBID