Teste realizado em São Paulo comprova os problemas que a bebida causa aos jovens motoristas

Foi como em uma festa normal. Uma mesa de bar, amigos em volta, música, bebida à vontade e carros estacionados na porta. Conseqüência: cinco atropelamentos e dezenas de batidas. Neste caso, era uma simulação com voluntários e as vítimas eram apenas cones. O problema é que também o resultado foi parecido com o de uma festa real.

No Brasil, 60% de todos os acidentes de trânsito estão envolvidos com álcool. Entre os casos com morte, o índice chega a 75%. Para reforçar os números, a seguradora Porto Seguro e o Centro Pilotagem Roberto Manzini, de São Paulo, realizaram um simulado de direção sob efeito de álcool com jovens de 19 a 25 anos na Universidade de São Paulo – USP.

Os motoristas fizeram testes neuropsicológicos e de bafômetro e passaram por um percurso que põe à prova a capacidade de cada um de se posicionar no carro, desviar de obstáculos e reagir em tempo hábil a elementos surpresa. Todos foram aprovados, derrubando no máximo dois cones.

Mas depois de beber…

A prova foi repetida depois de uma parada em um bar improvisado. Durante uma hora, o grupo pediu cerveja, vodca, uísque, energético, batidas e caipirinhas. A proposta era que cada um bebesse da forma como costuma fazer nos finais de semana. Acabou o tempo e ninguém se considerava bêbado, muitos até queriam mais.

Com uma perna dobrada apoiada sobre a outra, a secretária Fabiana Coutinho de Oliveira, de 24 anos, tentava provar que estava bem. “Eu bebi a mesma quantidade de sempre, faço o quatro perfeitamente”, dizia. Ela descobriu, logo depois, que se equilibrar em um pé só não significa ter reflexos suficientes para assumir um volante.

Notou que não estava normal no primeiro ziguezague, quando derrubou 18 cones. O último ela arrastou debaixo do carro por mais 100 metros até a prova de frenagem, que ela simplesmente ignorou. Atropelou o 19.º cone, empurrado para o meio da pista, sem notar o objeto. “Não imaginava que estivesse alterada desta maneira”, confessou, acrescentando que teria ido embora de carro assim depois de uma festa, certa de que não estava alcoolizada.

Proprietário de um bar, Antônio Carlos Vieira Júnior, de 22 anos foi o que bebeu mais. Misturou vodca, uísque e algumas latas de cerveja. “Precisa de pelo menos dois engradados para me alterar, estou normal”, garantia antes do segundo teste. Ainda assim, prometia dirigir mais devagar. “Sempre tomei cuidado de diminuir a velocidade com doses mínimas”, repetia. A redução do ritmo não o impediu de derrubar 11 cones. “Bêbado eu sei que não estou, mas é bom para a gente saber como fica mais lento por pouca coisa”, disse após o teste.

Fábio Alves Andrade, 22, depois de alcoolizado derrubou sete cones. “Eu estou bem”, dizia, mesmo tendo passado por cima de uma mangueira. “Ele saiu cantando pneu, perdeu o equilíbrio, não conseguiu manter constância e achou que o traçado estava diferente”, avaliou Renato Manzini, que o acompanhou antes e depois da bebedeira. Veredicto: “Não estava em condições de dirigir.”

Autor: Jornal de Brasília
Fonte: Obid