Oms Dá Primeiro Passo Na Luta Contra Alcoolismo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu mais um passo nesta quinta-feira na luta contra o alcoolismo, aprovando uma resolução pedindo aos Estados que adotem medidas contra as conseqüências prejudiciais do consumo de álcool.

No documento, o Conselho Executivo da OMS solicita aos governos que adotem “estratégias e programas para reduzir as conseqüências negativas à saúde e à sociedade provocadas pelo consumo prejudicial de álcool”. Além disso, pede que os países estimulem a mobilização da população e da indústria para lutar contra o alcoolismo.

Um relatório dessa organização especializada das Nações Unidas considera que o consumo de álcool foi “a causa de 1,8 milhão de mortes” no mundo em 2000, o equivalente a 3,2% do total de falecimentos desse ano.

A resolução, uma iniciativa dos países nórdicos patrocinada por outros Estados europeus, recebeu também o apoio da China, Rússia, Canadá, Bolívia e Equador.

Os Estados Unidos aderiram ao documento, mas para isso pediram o compromisso do diretor-geral da OMS, o coreano Lee Jong Wook, de que a indústria do álcool intervenha nas discussões para tomar medidas contra o alcoolismo.

Lee considerou que é “prematuro fazer qualquer tipo de convênio” contra o álcool parecido com o adotado pela OMS contra o tabagismo. Para ele, “é necessário um compromisso com a indústria” produtora de bebidas alcoólicas para tomar medidas eficazes.

O diretor-geral da OMS acrescentou ainda que “é preciso diferenciar a indústria do álcool da do tabaco”.

As empresas produtoras de tabaco não participaram da elaboração do Convênio para o Controle de Tabaco, adotado em março de 2003 e que entrará em vigor no dia 28 de fevereiro. A resolução contra o alcoolismo provocou intensas discussões no Conselho Executivo da OMS em sua sede de Genebra. Nelas, Estados Unidos, França e Bolívia destacaram que seria “prematuro” adotar uma convênio similar ao do tabaco, que impõe medidas de proibição total da publicidade, promoção e patrocínio, além de restrições sobre a venda.

Um representante dos EUA na OMS disse que seu país “se opõe a um convênio”, ressaltando que “o álcool não é como o tabaco” e que “é difícil imaginar mais restrições” contra esse tipo de bebida.

Ele lembrou que, entre 1919 e 1933, a proibição do álcool nos Estados Unidos foi um “fracasso completo”. Segundo ele, essa decisão aumentou a ilegalidade da produção e do consumo, contribuindo para o aumento da criminalidade na época.

O representante americano defendeu que os esforços sejam concentrados em medidas concretas contra o abuso no consumo de álcool, como restrições entre motoristas, e insistiu na necessidade de a OMS estudar mais profundamente os prós e contras dessas bebidas.

A França também manifestou reservas sobre o assunto. “Não podemos nos associar a um projeto que pode ir mais longe e, inclusive, acabar em um texto como o convênio contra o tabaco”.

Além disso, a Bolívia concordou com a postura dos EUA, considerando prematura a discussão de um convênio.

Por sua vez, um representante do Equador, depois de elogiar um vinho que tinha acabado de beber, destacou que “também há um consumo benéfico” do álcool.

Em nome do Grupo das Américas na OMS, o equatoriano insistiu na necessidade de as medidas contra o alcoolismo serem “mais equilibradas” e dirigidas apenas contra o “consumo excessivo”.

A OMS calcula que cerca de dois bilhões de pessoas em todo o mundo consomem bebidas alcoólicas, cujo abuso gera problemas de “proporções alarmantes”.

Os especialistas da OMS desaconselham o consumo de álcool por mulheres grávidas e motoristas, e destacam os graves problemas para a saúde pública e para a sociedade gerados pelo consumo excessivo, principalmente entre os jovens.

O consumo de álcool “contribui para mais de 60 doenças e transtornos, incluindo a dependência e a cirrose hepática”, apontou um relatório da Secretaria da OMS.

No entanto, esse documento indica ainda que “um consumo baixo ou moderado de álcool pode beneficiar pessoas a partir dos 40 anos de idade devido a seus efeitos contra cardiopatias coronárias”.

Fonte: Agência Efe