Na ilha do Mel, polícia vai a acampamentos procurar drogas

DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

O grande consumo de maconha na ilha do Mel fez a polícia do Paraná realizar incursões semanais aos acampamentos de turistas que se formam durante a temporada de verão. Nos primeiros 11 dias deste ano, 25 pessoas foram autuadas no local por porte da droga.

Programadas para toda a estação, as blitze contam com o apoio de um helicóptero e de cães treinados para farejar drogas nas bagagens. A vigilância começa nos locais de embarque para a ilha. Policiais militares acompanham o traslado disfarçados como turistas.

Nos trapiches de desembarque, um comitê de recepção formado por policiais fardados e cães têm ordens para vistoriar toda a bagagem que chega.

O secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, disse que a repressão é o único meio de coibir os abusos. “Houve muita liberalidade durante muitos e muitos anos, sem que ninguém fizesse qualquer coisa para parar com isso.”

Até o ano passado, o secretário afirmou que sites na internet difundiam a idéia de que o consumo de maconha era liberado na ilha. “Tivemos casos de gente que foi presa, a maioria jovens, que tentava argumentar com os policiais que leram em sites apócrifos que um consumo de até 50 gramas de maconha era permitido”, disse Delazari.

No último Carnaval, durante um único dia, foram feitas 200 autuações por porte de droga. Quando isso ocorre, um juizado especial de plantão abre processo contra o acusado. Se ele for réu primário, pode optar por trabalhos comunitários ou doação de cestas básicas.

A comunidade aprova a ofensiva da polícia, mas pede atenção a outras áreas. O comerciante Wanderley Santana, presidente de uma das associações de moradores da ilha, reclamou do aumento na passagem do transporte (o que poderia afugentar visitantes).

Pediu ainda que o governo do Estado, responsável pela administração, intensifique a divulgação da ilha, cuja publicidade feita atualmente é fraca, disse ele. “Estamos de acordo com o trabalho da polícia, mas o governo também precisa olhar mais o lado social.”