Cuba começa 2005 com aumento no diesel e restrições ao tabagismo

Por Raquel Martori
Os cubanos começaram o ano com um aumento inesperado no preço do óleo diesel e com o anúncio da implementação em breve de medidas restritivas ao consumo de cigarros e bebidas alcoólicas.

Os consumidores de diesel foram surpreendidos com um novo aumento do preço. Em menos de oito meses, o óleo aumentou de 45 centavos de dólar o litro, antes de maio de 2004, para 55 centavos, e agora subiu para 75 centavos.

O novo aumento não foi noticiado pela imprensa local nem foi notificado com muita antecedência aos funcionários de postos de gasolina da Cubapetróleo e da Oro Negro, pelo que alguns deles disseram à EFE.

O aumento, explicaram, afeta só clientes particulares e empresas privadas que pagam com dinheiro, e não grupos estatais.

Entre os afetados pelo aumento, estão os proprietários dos táxis particulares que prestam serviço em pontos de maior movimento da cidade, como as estações de ferrovias e de ônibus interprovinciais e para as praias do leste de Havana.

Os taxistas particulares não receberam a medida muito bem porque já foram obrigados a elevar suas tarifas de 20 para 25 pesos cubanos (um peso conversível, em paridade com o dólar, equivale a 26 pesos cubanos) com o aumento de maio do ano passado.

“Se o petróleo estivesse mais barato e as peças de reposição e a manutenção não custassem tanto, não teríamos elevado a tarifa”, disse Norberto Pérez, que disse trabalhar há 34 anos como taxista.

“Uma bateria de automóvel que custava uns 50 dólares agora custa 87. Os pneus pelos quais pagávamos 55 custam quase 100 dólares”, exemplificou.

Já para o motorista Raúl Martínez, que dirige um Oldsmobile de 1957, o aumento não afeta tanto porque ele compra o diesel que consome – 20 litros por dia – no “mercado negro”, a preços que oscilam entre 3 e 6 pesos cubanos o litro (12 e 24 centavos de dólar, respectivamente).

“Dessa maneira, o combustível fica rentável e não temos necessidade de elevar a tarifa, que atualmente oscila entre 10 e 20 pesos, de acordo com a distância a percorrer”, afirmou.

Por enquanto, o preço da gasolina se mantém em 80 centavos de dólar o litro do “regular” e 95 centavos para o “especial” (primeira classe).

Além de aumentar o preço do diesel, o governo cubano iniciou o ano decidido a restringir o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros – apesar de Cuba ser o país que produz as marcas de rum e tabaco mais famosas do mundo.

Duas portarias do Ministério de Comércio Interior publicadas na Gazeta Oficial de Cuba estabelecem proibições à venda de bebidas alcoólicas, cerveja e tabaco a menores de 16 anos a partir do dia 7 de fevereiro.

Também não será permitido fumar em estabelecimentos de saúde nem em locais públicos climatizados ou fechados.

A portaria antitabaco ressalta o dano do consumo à saúde e o objetivo de “contribuir para mudanças de atitudes em nossa população por causa dos riscos representados pelas doenças crônicas não-transmissíveis”.

Segundo dados do Ministério da Saúde Pública, cerca de 30% das mortes anuais registradas no país estão associadas ao tabagismo.

Cuba tem uma prevalência elevada de fumantes. De acordo com os resultados de uma pesquisa oficial de 2001 (últimos dados disponíveis), o índice é maior na faixa etária entre 40 e 49 anos, seguido da entre 30-39 anos. No entanto, 76% dos viciados em tabaco começou a fumar antes dos 20 anos.

Nos últimos anos, o governo vem alertando para o aumento do consumo de álcool e do início do hábito de fumar cada vez mais cedo.

EFE