Alcoolismo, o grande mal da sociedade

LOIDE GOMES

O alcoolismo é a terceira maior doença no país e uma das principais causas de morte em Roraima, se contabilizados os óbitos resultantes de doenças ligadas ao consumo excessivo do álcool e as violências no trânsito e urbana decorrente dele. Para amenizar o problema, começa a partir de hoje em todo o país a Semana Nacional Contra o Alcoolismo.

A Secretaria de Saúde do Estado ainda não elaborou uma programação alusiva à semana, mas mantém em funcionamento um programa de auxílio às vítimas do álcool.

Hoje, há cinco pacientes em tratamento no Centro de Recuperação e Promoção Humana (CRPH), que cuida de dependentes de qualquer droga, lícitas como o álcool ou ilícitas.

Eles iniciaram em dezembro um tratamento que dura 90 dias, com atendimento ambulatorial de profissionais de diversas áreas como médicos, psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais para o paciente e seus familiares, que também se envolvem no processo de cura.

Esta é a primeira fase do atendimento. A diretora do CRPH, Lislei Cristina Raskopf, afirmou que, conforme o quadro do paciente, o tratamento ambulatorial pode se estender por mais tempo ou ser substituído pelo acompanhamento domiciliar.

Segundo ela, o ambulatório faz o encaminhamento do dependente para que seja atendido em qualquer das especialidades necessárias para sua recuperação, no Hospital Coronel Mota, que atua em parceria com o CRPH, através do setor de Saúde Mental.

No CRPH, os pacientes fazem terapia de grupo, todas as segundas, quartas e sextas-feiras pela manhã, com a exposição de palestras educativas ministradas por profissionais e pelos monitores que superaram o vício e hoje trabalham no Centro.

Na terça-feira à tarde, os profissionais reúnem a família das vítimas para repassar orientações que auxiliarão no trato com o dependente e a lidar com situações complicadas como as crises de abstinência.

Todos os pacientes que freqüentam o Centro são homens. Isso não significa, no entanto, que o problema do alcoolismo se restrinja ao mundo masculino. ?É apenas uma coincidência termos somente homens agora. O problema do alcoolismo é bastante comum entre as mulheres também?, afirmou a diretora.

Lisley conta que a maioria das pessoas chega ao Centro com comprometimento social e psicológico. Poucos são os casos em que o dependente já desenvolveu outras doenças por causa do vício.

Quando há necessidade, o paciente é encaminhado para desintoxicação no Pronto Socorro, com a utilização de medicamentos por dois ou três dias para depois entrar no regime de abstinência que consiste a base do tratamento proposto pelo CRPH.

Quem não consegue manter-se longe do vício é levado para clínicas especializadas. Nas clínicas, passam por períodos que variam de 90 a 180 dias em regime fechado, para mantê-los afastados do álcool. ?A abstinência é fundamental porque para o dependente, basta o primeiro gole para não parar mais?, esclareceu.

Boa Vista não possui esse tipo de unidade hospitalar. Os pacientes normalmente são mandados para clínicas mantidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Manaus (AM), com passagens pagas pelo Tesouro Estadual.

Livrar-se do vício do álcool é uma tarefa dificílima, na opinião da especialista. Segundo ela, entre sessenta e setenta por cento dos pacientes que iniciam o tratamento sofrem recaída. ?O álcool é um dos piores vícios a se livrar, por ser uma droga lícita, que você encontra em qualquer lugar. Se você vai para o aniversário de uma criança, terá a bebida alcoólica disponível?, lamenta.

O CPRH funciona desde 1997. Auxilia no tratamento de dependentes de todas as drogas, mas só de adultos. Crianças e adolescentes são encaminhados para a Fazenda Uruami, atualmente sob a responsabilidade da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Estado. Atualmente não há nenhum adolescente internado no local por alcoolismo.

Fonte: Folha de Boa Vista