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Cães de fumantes sofrem impactos do cigarro

Um estudo realizado por um veterinário brasileiro mostra que animais domésticos são vítimas do hábito de fumar de seus donos. Segundo a Agência Fapesp, o médico veterinário Marcello Roza examinou durante dois anos 30 cães da raça yorkshire para examinar a existência do impacto do cigarro em pesquisa apresentada na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB).

Metade dos cães pertencia a pessoas que tinha por hábito fumar pelo menos 20 cigarros por dia. Inicialmente, os animais – 18 machos e 12 fêmeas – passaram por um exame de dosagem da enzima cotinina, um teste feito com a urina para comprovar ou descartar a exposição dos cães à nicotina e ao alcatrão, substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro. “Isso foi feito para mostrar que tais substâncias estavam presentes no organismo dos animais, uma vez que existia a possibilidade de o cão viver em uma casa de fumantes, mas não ingerir a fumaça”, explicou Roza à Agência FAPESP.

Em seguida, após uma anestesia geral, os animais foram submetidos a um lavado broncoalveolar, exame em que foi colocado soro fisiológico no pulmão para a retirada de células do órgão. O exame permitiu checar a existência de impactos danosos no organismo dos animais.

“A primeira alteração foi o aumento de duas células de defesa, os linfócitos e os macrófagos, além de detectarmos a presença de antracose”, disse. A antracose é uma alteração perigosa, precursora de outros problemas pulmonares. Oito animais apresentaram antracose entre os que viviam com fumantes, enquanto não houve alteração pulmonar nos 15 cães que serviram como controle.

A pesquisa concluiu que, apesar de ainda não terem desenvolvido doenças clínicas sérias, a grande maioria dos cães apresentava problemas de saúde que poderiam gerar graves complicações no futuro, como, por exemplo, o desenvolvimento de câncer de pulmão.

Redação Terra