As drogas sintéticas

Ecstasy talvez você já tenha ouvido falar. Mas e GHB, cápsula do vento, special K? São as novas drogas que saem do laboratório para as pistas das raves. Assunto de hoje da série “Drogas, a onda química”, com o doutor Jairo Bouer!

Em shows de música eletrônica é que a moçada costuma usar mais drogas sintéticas, entre elas a campeã é o ecstasy.

“Eu usei umas dez vezes”, diz um dos consumidores.

“Nessa década, o maior problema que nós vamos vivenciar é a droga sintética. Principalmente o ecstasy”, declara Ivaney Cayres, do departamento de narcóticos de São Paulo.

“A gente constatou o perfil do usuário: boa escolaridade, inserido no mercado de trabalho e pertencente às classes sociais mais privilegiadas. No entanto, é uma pessoa que sabe muito pouco sobre a droga”, diz o psicólogo Murilo Battisti.

As drogas sintéticas são utilizadas pela classe média alta porque são drogas caras, custam entre R$ 30 e R$ 50.

O ecstasy é uma droga estimulante e alucinógena.

“Ela foi sintetizada para ser um novo moderador de apetite, mas foi descartada pelo laboratório químico que a produziu porque era muito tóxica. Ficou na prateleira por várias décadas e foi redescoberta na década de 70 para ser a droga do amor. Depois se transformou na droga usada em discotecas, em raves”, explica o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.

O ecstasy chegou ao Brasil nos anos 90.

“O uso de ecstasy estava muito inserido na cena eletrônica. Hoje ele deu uma ampliada. Tem gente hoje que usa ecstasy e vai pra praia, vai a uma festa fantasia, vai em um desfile de moda. Agora, não dá pra negar que a cena eletrônica continua sendo o carro chefe do consumo dessa droga”, explica Murilo.

“A gente sabe que isso existe nas festas, a gente circulou o mundo inteiro e sabe que existe isso em maior ou menor quantidade dependendo da festa. O fato de ter surgido esse mito de que música eletrônica está relacionada com drogas é por causa do ambiente todo da festa, por causa das luzes, da experiência sonora, é uma experiência dos sentidos”, afirma o DJ Xerxes.

E qual é o perigo do ecstasy?

“A droga precipita transtornos psiquiátricos como síndrome do pânico, depressão. Outra coisa que aparece bastante é a taquicardia, ou seja, o aumento na freqüência cardíaca, aumento da temperatura do corpo, o que é muito preocupante porque o sujeito usou a droga em um ambiente quente, dançando, pulando muito. A temperatura pode subir muito e chegar a 40 graus e o sujeito pode até morrer por conta disso”, alerta Murilo.

O DJ Marky, o DJ brasileiro mais respeitado no exterior, tem história pra contar. “Eu toquei em Madison e um garoto de uns 17, 18 anos teve um ataque, não sei o que aconteceu, parou a festa. Depois de dois dias disseram que o menino tinha morrido de overdose de ecstasy. A gente está tocando e vê um negócio desses, a gente perde a vibe, é triste, perde a vibe de tocar”, conta ele.

E por que dizem que quem toma ecstasy no sábado passa a terça-feira triste, na maior deprê?

“Eu vou explicar por que isso acontece: você se lembra daqueles espacinhos que existem entre os neurônios, as sinapses? Lembra dos neurotransmissores e dos receptores? Pois é, o ecstasy, quando entra no cérebro, aumenta a liberação de dois neurotransmissores: a dopamina, responsável pela euforia, e a serotonina, que controla o humor. Só que o ecstasy provoca a liberação de toda a reserva de serotonina, e de uma vez só! O cérebro precisa de tempo para repor o estoque de serotonina. É por isso que a pessoa fica deprimida dois, três dias depois do uso. Porque gastou a serotonina na balada e ainda não deu tempo de o cérebro fabricar mais”, explica Jairo.

“O grande problema do ecstasy, fundamentalmente, é o dano cerebral que ele dá. Destrói neurônios, principalmente neurônios responsáveis pelo prazer”, alerta Laranjeira.

Alguns trabalhos já encontraram até estricnina, que é um veneno e extremamente tóxico, que pode levar a uma parada cardiorrespiratória.

É isso o que acontece com quem experimenta novas drogas, que aparecem na balada e ninguém sabe o que podem causar!

A cápsula do vento é um exemplo. Essa droga super perigosa acaba de chegar ao Brasil. É um pozinho branco, de aparência comum, mas que pode ser fatal. É um derivado da anfetamina e tem propriedades alucinógenas. Os efeitos podem durar muitas horas.

“O efeito dela inicia-se de seis a oito horas após tomada e dura até 30 horas. Existem relatos de pessoas que ficaram até uma semana sob efeito alucinógeno dessa substância, acordados. A pessoa pode ter uma alteração cardíaca, convulsões, alucinações intensas e morte”, relata o toxicologista Anthony Wong, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O que mais está rolando na balada e é perigoso?

“Eu destacaria a ketamina e o GHB”, diz Murilo.

A ketamina, também conhecida por cetamina, ou special K, é um anestésico usado em cirurgias e animais. É um “parente químico” do ácido lisérgico, o LSD.

“Os principais efeitos que provoca é o desprendimento corporal, o sujeito consegue se dissociar do corpo. O uso freqüente da droga pode causar danos na atenção, na memória, no estômago, coração e fígado”, alerta o psiquiatra.

O GHB, também chamado de ecstasy líquido, não tem cheiro nem gosto. É perigosíssimo, principalmente quando misturado com álcool. É que os dois – GHB e álcool – diminuem muito a atividade do cérebro. Quando se juntam, então, o efeito é ainda maior.

“O GHB é perigoso porque é uma droga depressora. Você pode ter problemas e até entrar em coma”, diz Murilo.

Portanto, cuidado! Não entre na onda errada.

“Tem droga em qualquer lugar? Tem. Aí vai da sua cabeça, se você quer ou não, eu sei de mim, eu sei o que é melhor pra mim. O que me faz feliz é ir numa loja e comprar um disco, colocar no toca disco. Isso supre qualquer necessidade minha”, ensina o DJ Mark.

Não perca, na semana que vem, o último capítulo da nossa série! Vamos mostrar os tratamentos, os caminhos pra se livrar da dependência! E mais: como falar sobre drogas com os filhos e as novidades que vêm por aí nas leis brasileiras de combate às drogas.

Fonte: Fantástico