Como orientar os pacientes sobre o consumo de álcool?

Pesquisas demonstrando efeitos benéficos à saúde do consumo de bebidas alcoólicas em quantidades moderadas não são exatamente uma novidade. Geralmente, esses benefícios são relacionados a bebidas fermentadas, com mais baixo teor alcoólico e diversas outras substâncias além do álcool, potencialmente benéficas e que não são encontradas nas bebidas destiladas, que concentram mais álcool e são mais “pobres” em outras substâncias.

Muitas pessoas consomem álcool sem maiores problemas, mas não devemos esquecer do potencial do álcool como gerador de doenças e incapacidade. Não existe consumo isento de risco, mas pode se falar em consumo de baixo risco. Mesmo a questão do que seria beber moderado envolve alguma controvérsia.

Assim, profissionais de saúde devem considerar alguns pontos ao discutir álcool com seus pacientes (algo que deveriam fazer mais freqüentemente):

Não encorajar quem não bebe nada a começar a beber;

Para quem já bebe, fermentados são geralmente mais seguros que destilados, mas deve se considerar a dose total;

Beber num ritmo tal que o álcool possa ser adequadamente metabolizado (não mais que 1 dose por hora), intercalando bebidas alcoólicas com não alcoólicas;

Consumo de baixo risco: HOMENS = não mais que 14 doses por semana, não mais que 4 por ocasião; MULHERES = não mais que 7 doses por semana, não mais que 3 numa única ocasião.
NÃO EXISTE CONSUMO ISENTO DE RISCO (ex. uma dose antes de dirigir sempre é risco)

Algumas pessoas e situações exigem ainda mais cuidados com relação ao consumo de álcool: mulheres grávidas (ou planejando engravidar), pessoas com mais de 65 anos, uso de medicamentos que interajam com o álcool e algumas condições de saúde.

Indivíduos com histórico de abuso ou dependência de álcool devem evitar o álcool. É mais comum do que se imagina (cerca de 10% da população geral: 17% dos homens e 6% das mulheres, mas vem aumentando nesse grupo).

Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein