Comércio de medicamentos controlados pela internet cresce no mundo, diz Nações Unidas

Nos Estados Unidos, o comércio de medicamentos controlados pela internet já é maior do que a venda nas farmácias, afirma o representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia. O comércio de medicamentos pela internet tem crescido em todo o mundo, indica o relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão das Nações Unidas, divulgado nesta terça-feira (1).

A maior parte das vendas diz respeito a medicamentos que possuem substâncias psicotrópicas. “A qualidade e autenticidade dos produtos farmacêuticos vendidos ilegalmente na internet são freqüentemente questionáveis. Em alguns casos, as drogas são falsas”, alerta o relatório.

Os produtos vendidos pela internet incluem substâncias com alto potencial de dependência, como derivados de ópio e estimulantes (anfetaminas). Muitos medicamentos possuem substâncias que apresentam riscos fatais à saúde quando consumidas sem supervisão médica, como barbitúricos e opióides (fentanyl e secobarbital, por exemplo).

Para a Jife, o combate a esse tipo de comércio deve ser feito de forma integrada pelos países. “A maioria dessas farmácias trabalha com produtos de marca, obtidos de fornecedores estabelecidos e reconhecidos. Assim, as autoridades responsáveis podem efetivamente prevenir esse fornecimento”, avalia o documento.

Para o membro titular da Jife e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Elisaldo Carlini, deve haver também uma política de prevenção. “A redução da demanda deve ser feita fundamentalmente através de esclarecimento para que as pessoas possam tomar uma decisão sadia”.

Enquanto em alguns países há consumo abusivo e ilegal de medicamentos, Carlini destaca que o uso médico da morfina – um importante analgésico derivado do ópio – concentra-se em apenas seis países, responsáveis por 79% do consumo legal dessa substância. Segundo ele, mais de 85% da população mundial têm acesso a apenas 6% da morfina produzida.
Fonte: Agência Brasil