Leia detalhes do relatório sobre consumo de drogas

O relatório produzido pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão das Nações Unidas, apresenta um quadro sobre a produção e o consumo de drogas nos cinco continentes.

Leia a seguir o resumo dos principais pontos do documento:

África: Cresce em muitos países da região o tráfico e o consumo de cocaína, heroína e estimulantes do tipo anfetamina. O relatório indica que o aumento no consumo de drogas injetáveis pode agravar a epidemia de Aids na África.

Segundo o relatório, a falta de controle na maior parte dos países africanos facilita o uso de substâncias psicotrópicas desviadas do mercado legal.

O maior plantio de cannabis no continente africano está no Marrocos: uma área estimada de 134.000 hectares produz, em média, três mil toneladas de haxixe anualmente. Cerca de 60% do haxixe apreendido no mundo é de origem marroquina.

América: A América do Norte é considerada o maior mercado do mundo de drogas ilícitas. O abuso de medicamentos controlados também é um fenômeno crescente. Ao mesmo tempo, os países dessa região aplicam grande quantidade de recursos para lidar com problemas relacionados às drogas, tanto dentro de suas fronteiras como fora delas.

Como resultado, oito grandes organizações internacionais do tráfico de drogas foram desmanteladas e sete outras foram enfraquecidas no ano passado.

Na América Central e Caribe, é cada vez maior a proporção de mulheres usuárias de drogas. De acordo com o relatório, a região continua a ser afetada pelo uso e tráfico de cocaína em grande escala.

O relatório afirma que o controle de drogas na América do Sul continua a ser uma importante questão política, não apenas para a região, mas também para o resto do mundo. “Como no passado, traficantes tentam intimidar promotores públicos, demonstrando, mais uma vez, as ligações próximas entre o tráfico de drogas e o crime organizado”, diz o documento.

Cerca de 90% da cocaína produzida na América do Sul – 590 toneladas de um total estimado de 655 toneladas em 2003 – é traficada por mar, principalmente através do Caribe.

Ásia: A população asiática representa dois terços dos usuários de anfetamina no mundo. No leste e sudeste desse continente estão aproximadamente 95% dos usuários de anfetamina. Segundo o relatório, no Afeganistão, a produção ilegal de drogas chegou a um nível recorde em 2004 e está comprometendo a estabilidade do país.

Em 2004, o cultivo ilícito de papoula de ópio foi reduzido consideravelmente na República Democrática do Laos e em Mianmar. A produção, o tráfico e o uso ilícito de estimulantes do tipo anfetamina, principalmente metanfetamina, permanece uma grande preocupação no leste e sudeste da Ásia.

Em vários países do leste e sudeste da Ásia (Camboja, China, Mianmar, Tailândia e Vietnã), o uso abusivo de derivados de ópio parece ter se distanciado do ópio e se aproximado da heroína. Usuários de drogas injetáveis que compartilham seringas representam a maior porcentagem de novos casos de Aids na China e no Vietnã.

Numa média mundial, enquanto 10% das infecções de HIV são causadas pelo uso de drogas injetáveis, na Ásia Central este número representa 60% a 90% dos novos casos.

Europa: No continente europeu, estima-se que 28,8 milhões de pessoas – 5,3% do total da população – consumiram cannabis (maconha e haxixe) nos últimos 12 meses. O uso abusivo de cannabis aumentou entre 2003 e 2004 no leste europeu, onde 3,6% da população adulta admitem ter usado essa droga.

Estima-se também que 200 toneladas de cocaína são contrabandeadas para a Europa todo ano, entrando principalmente através da Bélgica, Holanda, Espanha e Reino Unido.

Após três anos sucessivos de grandes colheitas de papoula de ópio no Afeganistão, o tráfico de cocaína retomou força na Europa, diz o relatório.

De acordo com estimativas oficiais, há mais de um milhão de usuários de heroína na Rússia, sendo o maior mercado dessa droga na Europa. O documento também considera estável o consumo de anfetaminas e ecstasy na Europa ocidental.

Oceania: Na Austrália, o uso de heroína diminuiu em relação aos níveis registrados em 2001. 90% da heroína consumida na Austrália é produzida no sudeste da Ásia. A redução de disponibilidade de heroína fez com que usuários dessa substância procurassem outras drogas, afirma o relatório, com um aumento considerável do consumo de estimulantes do tipo anfetamina.
Fonte: Agência Brasil