ONU pede mais políticas de prevenção às drogas

O relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta terça-feira, aponta para a necessidade de integrar as políticas de prevenção e repressão às drogas.

“Só a repressão nunca resolveu o problema. Isso é reconhecido por todos, inclusive pelas autoridades policiais”, afirma o membro titular da Jife e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Elisaldo Carlini.

Na opinião de Carlini, ações de repressão que não estão acompanhadas de esclarecimento à população apresentam resultados fracos. “O importante sempre é fazer através do convencimento das pessoas que determinado comportamento é inadequado, é prejudicial à saúde”, disse.

Ao avaliar a política de combate às drogas no mundo, o relatório diz que os governos costumam priorizar apenas uma parte do problema: a oferta de entorpecentes. “Isso pode produzir resultados em curto prazo, com grandes apreensões de drogas ilícitas, mas não tem efeito a longo prazo, pois novas fontes dessas substâncias se materializam para atender uma demanda crescente”, alerta o presidente da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), Hamid Ghodse.

Para a Jife, a redução da demanda por drogas requer, além de ações preventivas, propostas de desenvolvimento alternativas que substituam o papel da produção de entorpecentes na economia de determinada região, por exemplo.

O relatório diz que, “quando uma droga se torna mais disponível, um maior número de indivíduos vulneráveis são expostos a ela, a probabilidade de experimentá-la aumenta e os problemas associados ao seu uso ficam mais proeminentes”. Para a instituição das Nações Unidas, também não é suficiente que os governos realizem apenas campanhas preventivas. É preciso priorizar a oferta de tratamento da dependência química, defende a Jife.
Fonte: Agência Brasil