Farmácias vendem remédios sem receita – RJ

A legislação, no entanto, nem sempre é respeitada. Repórteres do GLOBO percorreram farmácias da Barra da Tijuca e da Zona Sul do Rio de Janeiro e compraram caixas de psicotrópicos (calmantes ou estimulantes) e antidepressivos sem a autorização de um médico. Os medicamentos adquiridos podem causar dependência e até morte em caso de superdosagem.

Em várias drogarias do Rio de Janeiro, foram vendidas caixas de psicotrópicos por um valor superior ao da venda quando feita com apresentação da receita. A diferença chegou a quase 30% do preço habitual.

Na transação, o balconista entregou um recibo cortado, apenas com o valor pago. O responsável pelas lojas, alegou desconhecer a irregularidade. Venda é possível devido à sobra de receitas nas drogarias, o atendente afirmou que conseguiria um remédio semelhante ao pedido pela repórter. Ele argumentou que a venda seria possível devido à sobra de receitas. O gerente da loja, disse desconhecer a prática e afirmou só vender este tipo de medicamento mediante apresentação da autorização médica.

Em outra farmácia, mais irregularidades: o farmacêutico não estava presente. A gerente informou que ele tinha se ausentado para resolver um problema. Na Zona Sul da cidade, o balconista de uma farmácia aceitou vender, por telefone e sem receita, duas caixas de psicotrópicos. O gerente da loja, nega a transação e diz que a farmácia sequer trabalha com controlados. A gente compra no concorrente, mas com a receita do cliente.

“Não sei como o funcionário disse que poderia vender o remédio”, disse. Repórteres do Globo também compraram antidepressivos na drogaria. A farmácia foi uma das que forneceram o remédio, mas sem a liberação da nota fiscal.

O gerente, negou a venda. O Conselho de farmácias promete mais fiscalização, já a drogaria, entregou o remédio junto com um recibo de controle interno. O vendedor explicou que havia sobra de receitas. Um outro cliente teria entregue um pedido médico para aquisição de três caixas de um antidepressivo e só teria levado uma. O chefe da fiscalização do Conselho Regional de Farmácias do Rio, disse que as farmácias podem ser autuadas e os responsáveis pela venda, processados.

A venda de psicotrópicos e entorpecentes sem receita são caracterizadas como tráfico ilícito de drogas, explicou, anunciando uma operação para investigar a ilegalidade. O comércio ilegal também foi condenado pelo membro da Câmara Técnica de Farmacologia do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro.

Autor: O Globo