Baseado brasileiro engana e não dá barato

A maconha brasileira não é mais a mesma. A conclusão é de uma tese de mestrado defendida na Universidade de São Paulo no ano passado. Durante seis meses, foram analisadas amostras aleatórias da droga apreendidas na capital paulista.

“Ao contrário do que se propaga, a concentração do princípio ativo da maconha, o THC, é bastante baixa”, explica o toxicologista Ovandir Alves, que orientou a tese na Usp. “Em cerca de 93% das amostras analisadas, esse teor estava abaixo de 1%, que é uma concentração considerada razoavelmente baixa.”

Para ser considerada legítima, a maconha deve conter pelo menos 1,5% de THC. Segundo o perito criminal Osvaldo Negrini Neto, o efeito alucinógeno depende de cada planta: “Isso varia de acordo com a região em que a maconha foi plantada, com o tipo de cultivo, com a coleta, se a terra foi preparada ou não etc”.

Mesmo fraca, a erva continua fazendo sucesso, principalmente entre os usuários ocasionais. Isso acontece porque eles não identificam a composição da droga e porque o componente subjetivo é muito importante no consumo de entorpecentes, de acordo com o psiquiatra André Malbergier. “Além disso, muitas vezes, os usuários consomem a maconha junto com álcool e outras drogas e isso eventualmente faz com que eles não percebam que a erva não fez o efeito esperado”, acrescenta o psiquiatra.

Mas os médicos alertam: maconha “light” também faz mal à saúde e pode causar dependência. “Mesmo com uma concentração baixa de THC, a maconha vai se depositando no tecido adiposo da pessoa”, explica Alves. E, pior, ela pode levar o usuário a experimentar outras drogas, uma vez que ela não surta o efeito desejado.

Fonte: UOL News