Saiba como funciona a dependência do cigarro e como parar de fumar

Tema do V Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, em São Paulo

A nicotina chega ao cérebro em nove segundos e alimenta os receptores de células capazes de reconhecê-la. O organismo reage à substância e, com o tempo, acostuma-se a receber cargas freqüentes da droga. Em três meses, a dependência se instala. Depois vem a tolerância, quanto maior a tolerância maior a necessidade da nicotina e a dependência física.

“Dependência é a perda do controle sobre o comportamento de uso da droga e a dependência do tabaco é complexa porque envolve a relação entre farmacologia, fatores adquiridos ou condicionados, personalidade e condições sociais”, observa Silvia Ismael, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar e diretora do Centro Psicológico de Qualidade de Vida.

As ações farmacológicas da nicotina estão nas várias formas de dependência. Os fumantes falam de efeitos positivos, como prazer, estimulação e relaxamento, melhoria da atenção, da reação e do rendimento. O tabagismo também promove alívio em estados emocionais, diminuindo a ansiedade, o estresse, a sensação de fome e controlando os sintomas da abstinência.

A dependência psicológica desempenha papel importante na manutenção do vício e é mais difícil de ser percebida e tratada. O indivíduo fuma por estimulação, principalmente, quando sente a melhora de aspectos físicos. O uso da droga pode ser ainda resultado de condicionamento, reforçado pelas conseqüências da ação farmacológica. O fumante associa humores, situações ambientais aos efeitos da droga. Isso é importante porque pode acarretar em recaída, após um período de abstinência.

A dependência está relacionada à personalidade e às condições sociais. Pessoas rebeldes e com distúrbios afetivos têm mais chances de serem dependentes. Fatores sociológicos podem determinar o risco e os padrões do abuso de drogas. O uso na família ou entre amigos é um forte motivador e um reforço para o consumo.

O primeiro passo para o sucesso no tratamento do vício é o profissional da saúde não criticar o fumante, nem desaprovar a atitude. A melhor forma de abordar o problema é com compreensão, motivação e sensibilização para os malefícios do cigarro. O psicólogo tem papel fundamental, pois sabe se que os programas multidisciplinares são os que mais funcionam. Utiliza-se a terapia Comportamental Cognitiva, em 6 ou 8 sessões programadas, e o sucesso deste tratamento, em um ano, tem sido de 60%.

O tratamento basicamente associa o atendimento médico ao psicológico e inclui avaliação do perfil do fumante, detecção dos gatilhos que levam ao cigarro, medicação a base de bupropiona associada ou não ao adesivo de nicotina, acompanhamento semanal da evolução do paciente e a preparação para alta e prevenção de recaída. Este trabalho é realizado em grupos de 5 a 10 pacientes.

Frente à importância do tratamento do tabagismo, este tema será debatido no V Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, que acontecerá entre 7 e 10 de Setembro de 2005, no Pestana Hotel (Rua Tutóia, 72), em São Paulo. Informações no site www.sbph.org.br.

Fonte: ABN