Uso de indevido de drogas e o aumento dos casos de HIV

Usuários de drogas injetáveis estão no centro do debate sobre a disseminação do vírus da Aids. Em 2004, 80% dos casos da doença na Rússia tiveram relação com a dependência química.

Na Malásia, na China, no Vietnã e na Ucrânia, usuários de drogas injetáveis totalizam mais de 50% dos casos de Aids. À medida que um elevado número de dependentes químicos se contamina, a epidemia se expande por sexo sem proteção com quem não é dependente.

Nos Estados Unidos, mais de um milhão de pessoas fazem uso de drogas injetáveis com freqüência e a estimativa é a de que pelo menos 50% dos novos casos de Aids estejam entre esse grupo de pessoas. Para as mulheres, 61% dos novos casos da doença são resultado de seringas contaminadas ou sexo sem proteção com usuários de drogas injetáveis.

O mesmo problema é responsável por mais da metade de todas as crianças nascidas com o HIV. “Nós somos uma fundação independente do governo americano. No entanto, a posição dos EUA nos afeta na hora de conseguirmos financiamento. Pois quando a ONU ou Washington não dá aval formal aos programas, temos mais dificuldades para convencer o financiador, que normalmente já tem resistência a um tratamento deste tipo” contou, ao Jornal do Brasil, Kassia Malynowska, Diretora do departamento de redução de danos da organização Open Society, que tem 200 clínicas operando com a prática no Leste Europeu.

Um estudo em 81 cidades em todo o mundo comparou taxas de infecção de Aids entre os usuários de drogas injetáveis. Nas 52 cidades que não possuem programas de redução de danos, os índices de infecção cresceram 5,9% por ano, na média. Em 29 cidades com o tratamento, a contaminação decresceu 5,8% ao ano.

“A rejeição americana não causa tanto impacto em nós, mas sim nas pessoas que estão na linha de frente do tratamento”, afirma Malynowska. Essa posição dos Estados Unidos na questão enfraquece o apoio e a ajuda às pessoas que mais precisam.

Autor: Jornal do Brasil