Atletas processam fabricante de esteróides

Um grupo de 160 atletas da ex-Alemanha Oriental – RDA, vai processar a gigante farmacêutica Jenapharm pelos danos “irreparáveis” que sofreu devido aos esteróides produzidos pela empresa nas décadas de 70 e 80.

Os atletas, alguns com apenas 10 anos de idade na época, querem uma indenização de 10 mil euros (cerca de 35 mil reais) cada da empresa, que produzia as drogas administradas aos atletas a pedido do governo da Alemanha Oriental.

A Jenapharm insiste que as drogas eram legais, apenas usadas de forma incorreta pelos treinadores. O caso deve ser julgado na cidade alemã de Hamburgo nos próximos meses

Abortos

“Não há compensações suficientes para quem ficou com um fígado ruim para o resto da vida, mulheres que tiveram filhos com problemas ou mulheres que foram confundidas com homens”, disse o advogado dos atletas Michael Lehner à uma agência de notícias .

Segundo o advogado, os atletas também têm a intenção de serem vistos como “vítimas” e não como “culpados” – como constantemente são. A bem sucedida história esportiva da Alemanha Oriental foi baseada em um constante abuso de esteróides por parte dos atletas – com o aval do governo.

Entre 1972 e 1988, a República Democrática Alemã ganhou 384 medalhas olímpicas, mesmo tendo boicotado os jogos realizados em Los Angeles, em 1984. O abrangente programa de doping, segundo informações, envolveu dezenas de milhares de atletas, muitos deles crianças.

“Era praticamente impossível recusar”, diz o historiador do esporte Giselher Spitzer, da Universidade Postdam. Os principais alvos do doping, segundo ele, eram ginastas e patinadores de gelo.

As conseqüências para alguns foram terríveis. O pior caso é o de George Severs, que foi encontrado no fundo de uma piscina depois de sofrer uma parada cardíaca. Na época, os pais do atleta receberam a informação de que ele havia se afogado porque estava enfraquecido devido a uma gripe.

Vinte anos depois, uma autópsia mostrou que ele morreu de insuficiência hepática. Atualmente, é estimado que cerca de 10 mil atletas tenham sofrido problemas de saúde (mental e psicológica) por conta do doping.

A ex-nadadora Rica Reinisch, tricampeã olímpica e recordista mundial nas Olimpíadas de Moscou em 1980, alega ter sofrido inúmeros abortos e recorrentes cistos no ovário. A maioria dos atletas diz acreditar que a Justiça não chegou para a maioria dos culpados.

Uma das maiores sentenças foi a de Lothar Kipke, chefe da federação de natação entre 1975 e 1985. Ele teve que pagar uma multa de US$ 6 mil e não precisou cumprir pena. Nenhum dos culpados passou sequer um dia na cadeia, segundo o advogado das vítimas, que agora voltaram a sua atenção à indústria farmacêutica.

A presidente da empresa acusada, Isabelle Roth, disse que apesar de estar comovida com a situação dos atletas, ela não vê a empresa como “responsável” pelo problema de doping da Alemanha Oriental. Ela sustenta que as drogas eram aprovadas e foram mal usadas pelos treinadores.

A ex-nadadora Rica Reinisch, tricampeã olímpica e recordista mundial nas Olimpíadas de Moscou em 1980, alega ter sofrido inúmeros abortos e recorrentes cistos no ovário. A maioria dos atletas diz acreditar que a Justiça não chegou para a maioria dos culpados.

Uma das maiores sentenças foi a de Lothar Kipke, chefe da federação de natação entre 1975 e 1985. Ele teve que pagar uma multa de US$ 6 mil e não precisou cumprir pena. Nenhum dos culpados passou sequer um dia na cadeia, segundo o advogado das vítimas, que agora voltaram a sua atenção à indústria farmacêutica.

A presidente da empresa acusada, Isabelle Roth, disse que apesar de estar comovida com a situação dos atletas, ela não vê a empresa como “responsável” pelo problema de doping da Alemanha Oriental. Ela sustenta que as drogas eram aprovadas e foram mal usadas pelos treinadores.

Autor: BBC Brasil