Acidentes têm relação com álcool

[31 Março 04h22min 2005]

Os dados do setor de epidemiologia do Instituto Doutor José Frota (IJF) não deixam dúvidas. O consumo exagerado de álcool é fator de preocupação em relação a potenciais vítimas da maior unidade de atendimento traumatológico do Estado. Para se ter idéia, 49,65% dos envolvidos em acidentes de moto que deram entrada ano passado na emergência daquele hospital haviam ingerido bebida alcoólica. Com relação a acidentes de carros, o estudo mais recente é de 2002, mas não difere muito dos com motocicletas, apontando que 39,8% dos guiadores tinham bebido.

Além de ter ingerido bebida alcoólica, o perfil das vítimas de acidentes entre veículos automotores indica que a maioria é do sexo masculino, estava na faixa etária de 21 a 30 anos e não utilizava equipamentos de segurança na condução de motos (capacete). Além disso, o maior número de ocorrências se deu nos dias de domingo, entre 18h e 24 horas.

As vítimas de agressão corporal (espancamentos) atendidas no IJF também mantêm relação com o consumo de bebida alcoólica. Nos primeiros cinco meses de 2004 (dados mais atualizados), das 65 vítimas, 37 (56,92%) haviam ingerido álcool. Já a proporção dos agressores chegou a 35,38%.

Quanto aos atendimentos efetuados em pacientes atingidos por arma branca (faca), no período de junho a outubro de 2003, no total, 58% haviam consumido bebida alcoólica. Um aspecto a ser ressaltado, diz a enfermeira chefe do setor de Vigilância Epidemiológica do IJF, Luciene Miranda de Andrade, é que a vítima teria provocado a agressão.

Luciene afirma que os dados das ocorrências, apesar de feitos em períodos diferenciados, têm se mantido nos últimos meses. Ela ressalta que o fato reforça a importância da participação dos profissionais de saúde na conscientização sobre o consumo de bebida alcoólica. (Luiz Henrique Campos)

Especialista propõe combate às causas

[31 Março 04h22min 2005]

O doutor em história, especialista em atendimento médico ao trauma e pesquisador na área de violência, Luis Mir, 48, considera que a adoção da lei seca pode no primeiro momento produzir efeitos na diminuição dos índices de violência. Mas o resultado positivo tende a cair se não forem adotadas medidas complementares.

Como o consumo de álcool está vinculado a ausência de opções de lazer, cultura, além de envolver aspectos ligados à questão da qualidade de vida, o pesquisador defende medidas para combater essas causas. ‘‘Sem isso não adianta’’, afirma. Luis Mir ressalta o exemplo de Bogotá, na Colômbia, onde os bares são fechados às 20 horas, mas em compensação, a cidade oferece outras opções de lazer.

Em contraponto, cita o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) como exemplo de lei que apresentou resultados satisfatórios nos primeiros meses. Mas com o tempo, diz, faltou fiscalização e equipamentos de controle, fazendo a lei diminuir a sua eficácia.

O especialista avalia que a adoção da lei seca seja uma ação emergencial. ‘‘O governador (Lúcio Alcântara) é médico e deve saber muito bem como anda a situação da violência em Fortaleza para querer implantar a medida’’, declara. Por isso, defende a decisão como correta, desde que acompanhada por outras ações. (L.H.C.)
Fonte: O Povo – Jornal do Ceará